Os automobilistas de Lisboa aderiram, esta terça-feira, ao buzinão contra as obras de requalificação no Saldanha e em Picoas, em pleno centro da capital, enquanto os ciclistas consideraram o protesto “absurdo” e defenderam que é preciso encontrar um meio-termo.

Entre as habituais buzinadelas de trânsito e os buzinões de descontentamento, o protesto arrancou tímido, pelas 18:30, na praça do Marquês de Pombal, mas aqueceu para um buzinão com dimensão sonora que durou cerca de 15 minutos, prosseguindo depois com apitadelas ocasionais até cerca das 20:00.

Moradora há mais de 20 anos na Avenida da República - artéria que vai sofrer alterações -, Maria Gonçalves disse que “os constrangimentos das obras são totais”, criticando a falta de planeamento da Câmara de Lisboa por não ter disponibilizado à população informação sobre o projeto.

Para Maria Gonçalves, “não são de todo” necessárias estas obras, acrescentando que “há tanta coisa para fazer” em Lisboa, desde recuperar passeios à pavimentação das ruas.

Com uma opinião diferente, Ladislau Ferreira, morador na zona do Arco do Cego e utilizador de bicicleta, considerou à Lusa que a intervenção “é uma necessidade municipal” e que “há muito tempo que as obras deviam ter sido impostas”, uma vez que vai “facilitar” a mobilidade aos ciclistas”.

Em causa neste projeto está o alargamento dos passeios, a criação de zonas verdes e de estadia, a repavimentação das faixas de rodagem (feita durante a noite), o reordenamento do estacionamento e a criação de uma ciclovia bidirecional, no âmbito do programa “Uma praça em cada bairro”.

A intervenção vai originar a supressão de cerca de 60 lugares de estacionamento no Saldanha, segundo a autarquia, e levar à redução temporária de uma via em cada sentido na Avenida Fontes Pereira de Melo, durante três meses.

Admitindo que este período inicial seja o mais complicado de toda a obra, a autarquia recomenda aos condutores encontrarem caminhos alternativos, mas, se possível, a deixarem os carros e utilizarem transportes públicos.

Orçada em 7,5 milhões de euros, a intervenção tem uma duração estimada de nove meses.