Cerca de 80 residentes da freguesia de Carnide, em Lisboa, decidiram segunda-feira à noite criar uma comissão composta por moradores e comerciantes para pressionar a Câmara Municipal a requalificar ruas do centro histórico onde foram colocados parquímetros de estacionamento.

É uma comissão [com cerca de dez pessoas] que vai pôr na agenda do dia, diariamente, todas estas questões, e utilizar todos os mecanismos legais e recursos que estão à disposição”, disse o presidente da Junta de Carnide, Fábio Sousa (CDU).

Falando aos jornalistas no final do encontro, que durou mais de duas horas na Casa do Coreto de Carnide, o autarca precisou que uma das ações previstas é a de “aparecer nalgumas cerimónias públicas a denunciar esta falta de respeito pela população”.

Outra das medidas abordadas no encontro foi a colocação de placas com “frases criativas” junto aos parquímetros, ideia que Fábio Sousa disse ver com bons olhos, uma vez que demonstra aos visitantes “o quão ridículo é a cobrança de estacionamento neste território”.

No início deste mês, moradores de Carnide retiraram os parquímetros da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) que tinham sido ativados a 31 de março, em protesto pela sua instalação na zona histórica da freguesia.

Os 12 parquímetros foram retirados apenas com força de braços e ficaram guardados na sede da Junta de Freguesia de Carnide até terem sido confiscados pela PSP, aparentemente sem sinais de vandalismo.

Dois dias depois, a EMEL repôs os equipamentos.

A introdução do estacionamento tarifado no centro histórico tem vindo a ser contestada por Fábio Sousa e pelos moradores, que consideram não surgir no momento adequado por o município ainda não ter requalificado, como se comprometeu, locais como a Azinhaga das Carmelitas, Travessa do Pregoeiro, Rua General Henrique de Carvalho, Rua das Parreiras e a Rua da Mestra.

No Orçamento Participativo da Câmara de Lisboa de 2014, três dos projetos vencedores eram referentes à requalificação destas ruas, orçados ao todo em quase 500 mil euros.

Porém, desde essa altura, nada avançou.

Com o intuito de parar o estacionamento pago na zona, juristas contratados pela Junta “estão a analisar qual é a figura jurídica mais vantajosa”, mas, por se tratar de um “processo complexo”, ainda não se decidiu se haverá uma providência cautelar, indicou Fábio Sousa.

Apesar de se escusar a apontar o investimento feito até agora, nomeadamente pela contratação de técnicos externos à Junta, Fábio Sousa assegurou que a autarquia dará “todo o apoio que for necessário”.

Foi isso a que nós nos comprometemos com a população desde a primeira hora e, portanto, faremos o investimento todo que for necessário, porque acreditamos muito nesta luta e nesta causa”, reforçou.

Na reunião de hoje, foram vários os moradores na envolvente do centro histórico, de locais como a Azinhaga do Serrado, que se queixaram que, por vezes, não têm lugar para deixar o carro por as pessoas estarem a procurar aqueles sítios para estacionar sem pagar.

Muitos dos presentes contestaram ainda as palavras do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), que defendeu há dias que “não se pode reagir a isso com um ato de vandalismo”, recusando ser chamados de vândalos.