O vereador do CDS-PP na Câmara de Lisboa questionou, esta quarta-feira, o executivo acerca do objetivo e da conclusão das obras na Ribeira das Naus, afirmando que os munícipes têm o direito de saber quando terminam os trabalhos.

«Não se encerra uma artéria daquelas sem se dizer quando acaba a obra. Os lisboetas têm de ser informados do prazo de conclusão», disse João Gonçalves Pereira à Lusa.

«Todo o núcleo central da cidade é afetado com esta intervenção», acrescentou.

O vereador falava à Lusa no final da reunião da câmara, na qual entregou um pedido de informação escrita ao presidente a questioná-lo sobre esta matéria.

A Câmara de Lisboa encerrou a avenida Ribeira das Naus na passada sexta-feira e por tempo indeterminado para finalizar as obras de requalificação daquela zona ribeirinha da cidade.

Para o vereador, este corte implica «não só o desvio de tráfego automóvel, bem como os congestionamentos, com maiores tempos de espera ou de viagem, em todo o trajeto das carreiras da Carris».

«Os munícipes têm direito a saber quando começa, bem como quando termina a obra, uma vez que - como em qualquer empreitada - existem prazos de início e conclusão de obra», lê-se no pedido de informação escrita.

Nesse sentido, João Gonçalves Pereira quer saber para quando está prevista a conclusão da obra e se a verdadeira razão para o corte de trânsito é a segunda fase da requalificação daquela zona ribeirinha ou, como informou a Carris em comunicado, «obras de reparação de pavimento».

Segundo o vereador, o presidente da câmara de Lisboa disse na reunião que se trata de uma «obra complexa» e que não iria «assumir nenhum compromisso para a data de conclusão» da obra.

Há cerca de um ano, a Câmara de Lisboa inaugurou a primeira fase das obras na frente ribeirinha daquela avenida, entre o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré, que incluíram o avanço da margem sobre o rio, a criação de um pequeno espaço verde e de uma pequena praia.

Na ocasião, fonte da autarquia indicou que a segunda fase da intervenção na Ribeira das Naus estaria pronta no verão passado. Estas obras incidem sobre a requalificação do parque de estacionamento das instalações centrais da Marinha, que se situam naquela avenida.

«No local onde hoje está instalado o gradeamento das instalações da Marinha Portuguesa será possível passear no jardim, ver a doca Seca (agora enterrada), onde eram recuperadas as naus das descobertas, e reencontrar o antigo Cais da Caldeirinha e as estruturas do Palácio Corte Real e será recriada uma praia existente antes do terramoto, com uma escadaria até à água», resume uma nota publicada no website oficial da autarquia.

As obras na Ribeira das Naus representam um investimento total de 10 milhões de euros, dos quais 6,5 milhões provêm do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).