Cerca de 70 pessoas manifestaram-se hoje em Lisboa contra uma intervenção militar internacional na Síria, no âmbito de uma iniciativa do Conselho Português para a Paz e a Cooperação a que aderiram outras 24 organizações.

Ao longo do desfile que percorreu a Rua Garrett e terminou na Praça Luís de Camões, no Chiado, encabeçado por uma faixa em que se lia «Agressão à Síria, NÃO!», os participantes no protesto empunhavam cartazes com as palavras «Basta de injustiça» e «É urgente outra política», enquanto repetiam frases como «Contra a agressão, paz, sim, guerra, não!» e «A paz é urgente no Médio Oriente».

«O que queremos denunciar hoje aqui, com este ato público, é que as grandes potências como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França têm objetivos escondidos na intenção de agredir a Síria: mascaram aquilo como sendo a proteção da democracia e dos direitos humanos, quando, na verdade, já estiveram a promover uma desestabilização enviando armas aos rebeldes, contribuindo para uma grande instabilidade interna daquele território», defendeu Helena Casqueiro, da direção do CPPC, em declarações à Lusa.

Chegados à Praça Camões, a presidente do CPPC, a eurodeputada comunista Ilda Figueiredo, tomou a palavra para recordar que o mundo já assistiu «a estes malabarismos» há 11 anos no Iraque, quando uma intervenção internacional foi justificada pela existência e eventual uso de armas de destruição maciça que, afinal, se provou não existirem.

E agora, sublinhou a dirigente, as potências ocidentais «estão a lucrar com os negócios da reconstrução de um país que destruíram».

A terminar, os ativistas aprovaram «por unanimidade e aclamação» uma moção lida por Ana Pires, da central sindical CGTP, nos termos da qual «o povo português se encontra entre aqueles que afirmam a sua oposição à agressão à Síria e a mais esta ameaça de escalada de guerra que agora pesa sobre o seu povo».

«O povo português está do lado da paz e da soberania do povo sírio. Portugal, fiel aos princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa, tem de dizer não à agressão e assumir no plano humanitário e diplomático a sua solidariedade atuante para com a Síria», leu a dirigente sindical.