O presidente da Câmara de Águeda, Gil Nadais, reuniu-se hoje com técnicos da REFER para analisar as perturbações da circulação na Linha do Vouga, que tem afetado sobretudo a comunidade escolar.

No final da reunião, o autarca disse à Lusa estranhar «a medida de diminuir drasticamente a velocidade na Linha, por alegadas razões de segurança, tomada com tanta urgência», e revelou que vai ser feito um estudo sobre as velocidades comportáveis.

«Expressámos a nossa insatisfação face ao que se tem passado, nomeadamente ao terem diminuído a velocidade dos comboios, que passou para 20 quilómetros/hora no troço entre Sernada do Vouga e Águeda, o que causou muitas perturbações nas escolas, com alunos a chegar atrasados às aulas», disse Gil Nadais.

O autarca refere ainda que, com a supressão de algumas composições, os atuais horários «estão desajustados das necessidades dos alunos, que saem da escola pelas 17:00 e só têm comboio para regressar a casa às 19:30».

«Significa que saem de casa às sete da manhã e só chegam às 21 horas, o que não é aceitável, mas na reunião de hoje houve uma grande abertura para reajustar os horários conforme as necessidades da população», deu conta.

A justificação dada para a súbita limitação da velocidade de circulação na Linha é a falta de segurança, mas representantes dos sindicatos acusam de se tratar de uma decisão política, segundo Gil Nadais que apenas recorda que «o governo produziu um documento em que previa o encerramento da linha, sem qualquer estudo de suporte», apesar do aumento do número de passageiros.

«Deixaram de ser feitos investimentos, o que está a conduzir à diminuição das condições de segurança na linha, e naturalmente o número de passageiros começou a decair depois de começarem a haver grandes oscilações nos comboios», observa.

De acordo com o que foi exposto pelos técnicos no encontro de hoje, o troço médio, entre Oliveira de Azeméis e Águeda, «está em muito mau estado e não garante condições de segurança», mas estão a ser feitas análises a esse troço para ver que velocidades é que pode comportar.

«Disseram-nos que dentro de duas semanas terão esse estudo concluído e poderão depois tomar outras medidas, como velocidades diferenciadas e nalgumas zonas até o encerramento», revelou Gil Nadais.

O presidente da Câmara de Águeda manifestou «insatisfação e desconforto», por terem sido encetadas as ações de supressão e limitação da velocidade dos comboios, "sem qualquer contacto com a autarquia que, assim, não pode avisar e minimizar o impacto" das medidas para as pessoas.

«Queremos que haja um serviço de qualidade na Linha, pelo menos no troço entre Machinhata do Vouga, Águeda e Aveiro, que entendemos ser uma via estruturante fundamental e que queremos que continue a servir as populações», declarou o autarca, que vai pedir uma audiência ao secretário de Estado dos Transportes.

Até lá, pretende continuar a reunir com a CP e a REFER «no sentido de ver o que pode ser feito para melhorar, ainda que pontualmente», as condições de circulação na via.