O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, disse hoje que o nascimento de crias de lince-ibérico no Vale do Guadiana, no concelho alentejano de Mértola, é “a prova do sucesso” do programa de reintrodução da espécie em Portugal.

“É, de facto, a prova do sucesso do trabalho que está a ser feito”, desde dezembro de 2014, “e que está a devolver uma espécie a Portugal”, frisou o ministro.

João Matos Fernandes, acompanhado pela secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, falava aos jornalistas em Mértola, no distrito de Beja, após assistir à libertação do lince-ibérico Mistral.

O animal, nascido no Centro de Reprodução de Zarza de Granadilla, em Espanha, em 2015, foi hoje libertado no Monte do Milhouro (Herdade da Sela), tornando-se o 18.º animal da espécie já solto no Parque Natural do Vale do Guadiana, no âmbito do projeto LIFE+Iberlince.

A 5 de maio, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) anunciou ter a confirmação da existência da primeira cria de lince-ibérico nascida no Vale do Guadiana, filha da fêmea Jacarandá.

Esta quinta-feira à noite, o ICNF divulgou o nascimento de uma segunda ninhada da espécie, constituída por, pelo menos, duas crias, com cerca de dois meses e filhas da fêmea Lagunilla.

Lagunilla, uma lince ibérica fêmea, com dois anos, e proveniente do Centro de Reprodução de Zarza da Granadilla, em Espanha, libertada em maio de 2015 na Herdade das Romeiras, na região de Mértola, no Baixo Alentejo, terá parido duas crias que terão cerca de dois meses e que foram fotografadas por técnicos do ICFF, que admitem a existência de uma terceira cria. Uma delas, já foi batizada como “Nosso”.

O território de Lagunilla possui uma densidade de coelho bravo muito alta, condição importante para a estabilização das fêmeas de lince. Neste caso existem também inúmeras oliveiras centenárias que podem ser usadas como tocas e onde as crias permanecem durante o período de amamentação”, lê-se no comunicado do ICNF.

Esta ninhada surge uma semana após a “confirmação da primeira cria, filha de outra fêmea deste núcleo fundador de linces, a equipa de seguimento do ICNF conseguiu confirmar a existência da segunda ninhada e batizou uma das crias como ‘Nosso’”.

Estas duas ocorrências constituem um dos mais relevantes marcos na já longa história da conservação do lince ibérico em Portugal, iniciada há mais 30 anos com a campanha da Liga de Proteção da natureza ‘Salvemos o lince e a Serra da Malcata’”, remata o ICNF, que acrescenta: “a existência de fêmeas reprodutoras é o mais significativo indicador da saúde de uma população e um facto que sustenta o potencial sucesso do processo de reintrodução iniciado”.

Em Espanha também já nasceram linces ibéricos em ambiente natural, nomeadamente na região de Montes de Toledo, Castela-La-Mancha.

O lince tem sido introduzido em Portugal com sucesso, ainda que seja uma experiência recente, através do projeto LIFE+Iberlince, que prevê libertar este ano algumas dezenas de linces ibéricos em várias zonas da Península Ibérica, alguns em Portugal, para incrementar e consolidar as populações existentes.