O Alentejo ganhou mais um lince-ibérico. A fêmea Macela foi libertada na natureza, esta semana, para integrar o núcleo de linces já estabilizados em Mértola. O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Em comunicado, o ICNF refere que Macela faz parte do grupo de nove linces-ibéricos que será libertado este ano em território português, no Parque Natural do Vale do Guadiana, no concelho de Mértola, distrito de Beja, no âmbito do projeto de Recuperação da Distribuição Histórica do Lince-Ibérico em Espanha e Portugal "LIFE+Iberlince".

O nome Macela deve-se à planta vivaz frequente em Portugal e com propriedades medicinais conhecidas. A fémea nasceu em 2015 no Centro Nacional de Reprodução de Lince-Ibérico em Cativeiro, em Silves, distrito de Faro, no Algarve.

"Se tudo correr como previsto", prevê o ICNF, "a jovem Macela deverá encontrar um companheiro e ter as primeiras crias na primavera de 2019, altura em que, nas serranias e nos campos cultivados, "florescerá igualmente a macela silvestre, trazendo também novas cores e interesses acrescidos à região".

Segundo o ICNF, os linces nascidos e criados em cativeiro e destinados à reintrodução e à vida selvagem não têm contacto direto com os tratadores, apenas com os seus congéneres, para não haver habituação aos humanos.

O desenvolvimento e a evolução de comportamentos naturais dos linces são observados por videovigilância e a sua capacidade de caçar coelho é avaliada antes de serem libertados, explica o ICNF, referindo que a reintrodução da espécie "é um programa de longo prazo, que requer um reforço regular de soltas de animais, até a população se tornar viável e autossustentável".