Dois novos linces ibéricos, as fêmeas "Lluvia" e "Lagunilla", foram libertados na terça-feira no Parque Natural do Vale do Guadiana, em Mértola, aumentando para sete o número de exemplares da espécie existentes no local, foi hoje anunciado.

A libertação das duas fêmeas ocorreu quase duas semanas depois de um casal de linces, "Loro" (macho) e "Liberdade" (fêmea), ter sido colocado igualmente em liberdade, no parque, assinala em comunicado o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Em março, houve uma "baixa" na população de linces reintroduzidos no Parque Natural do Vale do Guadiana, depois de a fêmea "Kayakweru", libertada em fevereiro, ter sido encontrada morta, por envenenamento, segundo o ICNF.

O processo de reintrodução dos linces ibérios em Portugal começou em dezembro, em colaboração com Espanha e entidades locais e, de acordo com o ICNF, não implica restrições ou limitações às atividades agrícola, florestal, turística ou de caça.

No comunicado, o ICNF refere que os linces-fêmeas "Lluvia" e "Lagunilla" foram libertados "seguindo o processo de solta branda, para potenciar a adaptação e fixação, tal como aconteceu com os animais anteriores".

"Lluvia" e "Lagunilla" nasceram em cativeiro, há pouco mais de um ano, no Centro de Reprodução em Cativeiro de Lince Ibérico de Zarza de Granadilla, na Extremadura, Espanha.

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas adianta que o casal "Loro" e Liberdade", bem como três linces libertados anteriormente, "Jacarandá" (fêmea), "Katmandú" (macho) e "Kempo" (macho), "continuam bem, apresentando os comportamentos naturais da espécie".

O lince ibérico tinha praticamente desaparecido do território português na década de 90, tendo sido considerado uma espécie "criticamente em perigo".

O animal é um símbolo da conservação dos ecossistemas mediterrânicos e uma espécie única, endémica de Portugal e de Espanha, classificada, pela União Internacional para a Conservação da Natureza, como o felino mais ameaçado do mundo.