Dezenas de famílias, assim como membros de clubes desportivos e associações locais fizeram hoje um cordão humano para limpar as praias de Matosinhos, Leça da Palmeira, Perafita e Lavra, numa iniciativa que nem a chuva conseguiu interromper.

Os participantes foram munidos de sacos do lixo, luvas e garrafas de água fornecidos pela Junta de Freguesia de Matosinhos e Leça da Palmeira, que coordenou a ação de limpeza das praias salpicadas de entulho e detritos arrastados pelos temporais deste inverno.

«Estamos a procurar transmitir uma mensagem à APDL [Administração dos Portos do Douro e Leixões], entidade responsável pela limpeza das praias durante todo o ano», explicou Pedro Sousa, presidente da Junta de Matosinhos e Leça da Palmeira, para quem "é preciso fazer mais e melhor».

«Não obstante a APDL ser a responsável pela limpeza das praias», salientou Pedro Sousa, «a comunidade transmite hoje um sinal de que é preciso fazer essa limpeza de uma forma mais regular e durante todo o ano, isto é, não só próximo da época balnear».

«Muitos de nós residimos aqui perto da praia», disse à Lusa João Abecassis, treinador de surf numa escola local, rodeado de formandos e colegas surfistas e frisando que utilizam a praia «o ano todo», pelo que considera a costa «até perigosa», dada a quantidade de destroços dispersos tanto pela areia como pelo mar.

«Quando nos deslocamos descalços pela areia, facilmente podemos aleijar-nos, ou até levar com detritos no mar», explicou o treinador de surf, relatando que, com as tempestades do inverno passado, «a morfologia das praias alterou-se, as praias estão diferentes e há pedaços grande de detritos que ficaram encostados na zona mais superior da praia e não saíram», pelo que será «necessário estas equipas intervirem para conseguir limpar tudo».

«Gostamos de ver o nosso local de lazer e trabalho limpo», resumiu.

Também para César Moreira, 40 anos e residente em Matosinhos, «este foi um ano difícil» para a marginal matosinhense, pelo que considerou «fundamental a população mobilizar-se e fazer ver às entidades competentes que esta é uma imagem de marca da cidade e que merece estar limpa e estar como as pessoas gostam de a encontrar no verão, mas durante o ano todo».

O presidente da Junta de Matosinhos e Leça da Palmeira considerou que os temporais de inverno deram azo a «uma situação extraordinária», em que os concessionários e as escolas de surf foram «fustigados por pelo menos três ou quatro vagas de profunda tempestade marítima», que implicaram «danos de elevada envergadura».

«Para tempestades extraordinárias, aquilo que pedimos à APDL é também que tenha aqui medidas excecionais», sublinhou Pedro Sousa, esperando que a entidade «cumpra o seu papel de responsabilidade social e ambiental e que, já na próxima segunda-feira, comece com a movimentação de areias necessária e acima de tudo com a limpeza das praias», como conta a Lusa.