A Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) vai apresentar na sexta-feira queixas-crime contra os responsáveis pela venda de papel comercial, deslocando-se a agências do Novo Banco para identificar os envolvidos no processo.

Em comunicado, a AIEPC lamenta que “ainda persista a ideia” de que quem comprou papel comercial do GES aos balcões do antigo Banco Espírito Santo (BES) – agora Novo Banco – tinha “perfeita noção” do que estava a ser proposto e de que “não houve qualquer ato ilícito” na comercialização do produto.

“Desta forma, não nos resta outra alternativa que não seja apresentar queixa-crime contra os gestores, subdiretores e diretores de agência, diretores regionais, diretores de zona e demais estrutura que, direta ou indiretamente, estiveram envolvidos na colocação do papel comercial na rede de retalho”, afirmam os lesados do papel comercial do GES.


A associação, que representa clientes do GES que reclamam ser reembolsados dos investimentos em papel comercial aos balcões do BES, indica que a ação principal vai ocorrer na sede do Novo Banco, em Lisboa, pelas 12:30 e que, de seguida, os lesados pretendem deslocar-se para a sede do BEST.

Outras ações vão também ocorrer, no mesmo dia, em agências do agora Novo Banco por todo o país para que os lesados, “acompanhados dos agentes de autoridade”, identifiquem os colaboradores envolvidos no processo.

“O objetivo é apenas o de demonstrar ao Banco de Portugal, ao Novo Banco, demais entidades e aos portugueses que não foi nenhum ato de ganância, em busca de dinheiro fácil pelo que, acreditamos que, e à semelhança do que oficiosamente nos foi transmitido, os gestores e restantes colaboradores do então BES, agora Novo Banco, transmitam a verdade dos fatores, relatando a verdade do que realmente se passou”, afirma a associação, em comunicado que é assinado pelo presidente Ricardo Ângelo.


São cerca de 2.500 os clientes do Novo Banco com papel comercial do GES no montante total de 527 milhões de euros que ainda não foram reembolsados.
 

Trabalhadores do Novo Banco recusam responsabilidade


Os trabalhadores do Novo Banco criticam as invasões das agências pelos lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), considerando que os alvos de reclamação deveriam ser as entidades emissoras e que os “verdadeiros responsáveis” ficam “incólumes”.

A Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) anunciou hoje que vai apresentar na sexta-feira queixas-crime contra os responsáveis pela venda de papel comercial, deslocando-se a agências do Novo Banco espalhadas por todo o país, juntamente com os agentes da autoridade, para identificar os envolvidos “direta ou indiretamente” no processo.

“Não entendemos e não aceitamos, que os maiores lesados - os trabalhadores - sejam vítimas da coação moral e física dos membros da associação que diz representar os lesados. Repudiamos aqueles que de vítimas que fomos, nos querem transformar em algozes”, afirma a Comissão de Trabalhadores do Novo Banco em comunicado.


A estrutura representativa dos quadros da instituição financeira considera que as deslocações para as instalações e junto dos funcionários do antigo BES são um “estranho movimento”, uma vez que “os verdadeiros responsáveis ficam incólumes a estes protestos”.

“Dizemos estranho, porque os alvos de reclamação devem ser as entidades emissoras do papel comercial e de séries comerciais (estas últimas mais focadas em clientes não residentes) e nunca os trabalhadores do Novo Banco”, afirma a Comissão de Trabalhadores.


Os trabalhadores lembram também que eram “acionistas em largo número” da empresa que “amavam e à qual se dedicaram com convicção”, tendo aplicado “parte substancial das suas poupanças não apenas em ações do BES, mas também em papel comercial de empresas do então GES”.

A Comissão afirma ainda que os trabalhadores “agiram de boa-fé”, tendo sido “os principais lesados e os primeiros a ser enganados”.