Com o stress do trabalho, ou mesmo porque nunca criaram esse hábito, muitas pessoas esquecem-se de comer às horas que deviam e beber regularmente água para se hidratarem. Para mudar isso, uma investigadora do Porto está a desenvolver uma ferramenta que deteta a última vez que a pessoa comeu ou bebeu e que emite “lembretes” de quando devem voltar a fazê-lo. Com o bónus de dar ainda indicações sobre a hora de toma de medicamentos, para quem tenha de o fazer.

Chama-se SmartReminders e foi pensado "para promover hábitos saudáveis junto de idosos autónomos que vivem sozinhos e isolados". Engloba uma aplicação móvel e um conjunto de sensores, incorporados num dispositivo semelhante a um relógio ou uma pulseira, explicou à Lusa a investigadora da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), Diana Gomes, responsável pelo projeto.

Esses sensores conseguem detetar os períodos de refeição e ingestão de líquidos, baseando-se em dados associados aos movimentos do pulso do utilizador, enviando de seguida essa informação para uma aplicação móvel instalada nos smartphones dos utilizadores.

Através da informação recebida, a aplicação emitirá “lembretes”, informando os utilizadores sobre os momentos em que devem fazer nova ingestão de líquidos ou alimentos.

Se o utilizador não beber nada durante muito tempo, um lembrete poderá persuadi-lo a beber um copo de água".

Hora dos medicamentos

A ferramenta pode ser uma ajuda também para quem toma diariamente medicamentos.Se tiver bebido antes de uma refeição, é provável que tenha tomado a sua medicação antes disso. No entanto, se não tiver bebido nada, será oportuno lembrá-lo de quais os medicamentos a tomar naquele momento, como explicou a investigadora.

Esta tecnologia permite ainda aos cuidadores e profissionais de saúde que acompanham o idoso verificar o histórico de refeições e ingestão de líquidos.

Há riscos?

Questionada sobre a possibilidade de esses dados fornecerem informações incorretas acerca dos movimentos, Diana Gomes assegurou que o dispositivo é dotado de um algoritmo que foi concebido para despistar movimentos facilmente confundidos com os atos de comer e beber, mas que não o são.

O isolamento dos idosos potencia um conjunto de comportamentos de risco, como negligenciar refeições, beber água em quantidade insuficiente e assegurar o tratamento farmacológico de forma imprópria".

Para a investigadora, este projeto pode ser uma solução tecnológica para "contrariar esse ciclo de condutas perigosas", promovendo comportamentos saudáveis, como o incentivo uma toma de medicação responsável, a uma ingestão de líquidos abundante e a manutenção de uma dieta adequada.

O SmartReminders é um dos 14 projetos criados por alunos de diferentes faculdades com o apoio do centro de investigação Fraunhofer Portugal AICOS, sediado no Porto, no âmbito de uma iniciativa anual que lhes permite desenvolver o seu trabalho orientado para a criação de soluções práticas que contribuem para a qualidade de vida da população. Este projeto, que continua em desenvolvimento, contou com o apoio do professor João Mendes Moreira, da FEUP, e da investigadora Inês Sousa, da Fraunhofer Portugal AICOS.