Um homem acusado da prática de 20 roubos em coautoria, seis dos quais tentados, confessou hoje no Tribunal Judicial de Leiria a prática dos crimes, no início do julgamento em que o seu alegado cúmplice se remeteu ao silêncio.

O arguido, de 22 anos, quando interpelado pela presidente do coletivo de juízes sobre os crimes que lhe estão imputados, foi afirmando sucessivamente «é verdade», excetuando alguns pormenores.

O acusado, que responde também por três furtos, seis crimes de falsificação de documento e um incêndio, todos em coautoria, adiantou que atuaram encapuzados e com caçadeiras, e que dividiram o dinheiro que obtiveram dos roubos.

Ao coletivo de juízes, depois de ser alertado para a gravidade dos factos que acabara de confessar, o homem, que trabalhava num armazém de frutas e que agora está detido, disse saber o que isso implica e que ninguém o obrigou a falar, referindo que o dinheiro «não chegava para o carro, nem para a droga».

Este arguido está ainda acusado de um crime de detenção de arma proibida. Ao seu alegado comparsa, também detido, o Ministério Público imputa, além dos crimes em coautoria, um furto, um roubo, falsificação de documento, detenção de arma proibida e uma contraordenação de detenção ilegal de arma.

Os três restantes suspeitos estão acusados de tráfico de armas, dois deles – pai e filho - em coautoria. O terceiro está em tribunal, igualmente, por um crime de furto.

Hoje, dois negaram os crimes e um terceiro confirmou ter vendido uma arma a um dos assaltantes, numa sessão em que testemunhou um inspetor da Polícia Judiciária.

Na acusação, lê-se que os dois principais arguidos decidiram dedicar-se, «de forma habitual e reiterada, a usar armas de fogo para criar intimidação e usar a força contra pessoas, que abordariam, preferencialmente, em postos de abastecimento de combustível instalados nas áreas de serviço situadas na região entre Leiria e Lisboa».

«Acordaram que atuariam encapuzados com gorros que possuíam orifícios, usando luvas e munidos de armas» e, na execução dos crimes, «usariam viaturas de que previamente se apoderariam através da exibição de armas de fogo», colocando-lhes depois matrículas furtadas ou alteradas.

A acusação atribui a estes dois arguidos roubos cometidos com arma de fogo nos concelhos de Caldas da Rainha, Torres Vedras, Loures, Alcobaça, Santarém, Rio Maior, Vila Franca de Xira, Cartaxo e Mafra, em postos de abastecimento de combustíveis ou a automobilistas (“carjacking”), sendo igualmente suspeitos de uma tentativa de assalto a um banco em Alenquer.

Os arguidos, com idades entre os 20 e 47 anos, residem no Bombarral. O processo, que resulta da apensação de 23 inquéritos, foi investigado pela Polícia Judiciária de Leiria.

O julgamento prossegue à tarde.