A Parvalorem equaciona vários cenários para a coleção Miró, no caso de não serem vendidas todas as 85 peças no leilão previsto para junho, inclusive a repetição da ida à praça ou a venda direta a eventuais interessados.

Contactado hoje pela agência Lusa, o presidente da Parvalorem, Francisco Nogueira Leite, ressalvou que «este cenário e outros alternativos naturalmente serão equacionados a seu tempo».

A Parvalorem é a sociedade anónima de capitais públicos, criada em 2010 pelo Estado, para gerir os ativos e recuperar créditos do ex-Banco Português de Negócios (BPN), nacionalizado em 2008, nomeadamente através da venda da coleção Miró que a entidade bancária detinha.

A empresa celebrou um contrato com a leiloeira internacional Christie's para a venda das obras em junho, num modelo que tem sido defendido pela Parvalorem e pelo Governo como o mais «transparente», com garantia de «igualdade de oportunidades» para os compradores.

A coleção, com um valor base de licitação de 35 milhões de euros, regressou ao país no final de fevereiro e, segundo a Parvalorem, encontra-se nos cofres-fortes da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa.

Sobre a possibilidade de remanescerem obras do leilão previsto para junho, em Londres, o presidente da Parvalorem equaciona vários cenários: «Poderá haver um novo leilão uns meses mais tarde ou poderá, de acordo com as partes, ser equacionada qualquer outra solução. A leiloeira poderá encetar, como é comum internacionalmente, uma venda direta para potenciar a maior receita possível».

«O procedimento deste assunto é exatamente igual ao de todos os leilões internacionais. O que se pratica no mercado internacional de leilões não cuida de saber o que pensam em Portugal algumas pessoas com interesses particulares e partidários», comentou o presidente da empresa.

No caso de não serem vendidos todos os quadros em leilão, «as partes acordarão, em relação às obras remanescentes, o que fazer. Este cenário e outros alternativos naturalmente serão equacionados a seu tempo», acrescentou o presidente da Parvalorem à Lusa.

Considerou ainda que «não é oportuno nem prioritário definir essa possibilidade nesta altura».

Quanto aos termos do contrato com a Christie's, Francisco Nogueira Leite disse que existe «um dever contratual de confidencialidade que não pode ser violado, por uma questão de princípio e por dever contratual».

O Diário Económico noticia hoje que o caderno de encargos refere «que o prestador poderá, no prazo e condições que venham a ser acordadas, proceder à venda, fora de leilão, por preço não inferior ao preço mínimo de venda acordado, acrescido de todas as taxas ou comissões aplicáveis».

A coleção, que ainda não foi exposta em Portugal, esteve em exibição em Londres antes do leilão marcado para o início de fevereiro, que foi cancelado pela Christie's, por ter considerado que a venda não seria legalmente segura, depois de o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa ter apontado ilegalidades na saída das peças de Portugal.