O presidente da associação de lares de idosos privados escreveu ao ministro da Saúde a lamentar as declarações em que se referiu a casos de idosos «depositados nos hospitais» pelos lares, declarando que são «insinuações sem razão de ser».

«Já no inverno passado fez as mesmas declarações. Penso que seria melhor começar por analisar a situação com as estruturas representativas dos lares de idosos, para não se ficar apenas com a insinuação sobre falta de cuidados que não têm razão de ser na grande maioria dos lares privados licenciados», lê-se na missiva enviada ao ministro Paulo Macedo, e assinada por João Ferreira de Almeida, presidente da ALI - Associação de Apoio Domiciliário, de Lares e Casas de Repouso de Idosos.

A posição da ALI surge na sequência das declarações do ministro da Saúde, na quinta-feira, em Braga, onde afirmou que iria trabalhar em conjunto com o Ministério da Saúde e a Segurança Social para encontrar soluções mais eficazes para casos de idosos «depositados» nos hospitais e para impedir «assimetrias» nas taxas de vacinação em lares.

Durante uma visita ao serviço de urgência e à maternidade do Hospital de Guimarães, o ministro da Saúde explicou, em declarações à Lusa, que há lares com taxas de vacinação de «quase 100%», mas que existem outros onde essa taxa é quase nula e onde se deixa «infetar» os utentes, levados depois «sem critérios» para as urgências.

Na resposta, a ALI refere que desconhece se existe uma diferença entre o número de idosos que chega às urgências hospitalares indo de casa e aqueles que lá chegam idos dos lares, frisando ainda a necessidade de separar a realidade dos lares licenciados da dos lares clandestinos.

João Ferreira de Almeida afirma que as instituições licenciadas disponibilizam um «médico próprio» aos idosos, «mesmo não sendo obrigatório segundo a regulamentação em vigor».

«A grande maioria dos lares clandestinos não. O problema é que quando se fala de lares convém distinguir porque, assim, até parece que é tudo igual. E não é», declarou, sublinhando que «seria bom que o Estado, de uma vez por todas, fizesse alguma coisa de concreto para combater a clandestinidade neste sector», afirmando que está em causa «um grave problema de saúde pública».

O presidente da ALI refere ainda que «a maioria dos lares licenciados tenta evitar a ida dos idosos às urgências», refutando ainda as declarações do ministro que apontam para transporte de doentes para as urgências, «sem critérios».

«Nenhum lar gosta de por em risco os seus idosos, pelo que não se entende a alusão a idas desnecessárias que até são confirmadas, antes, pelo INEM», declarou João Ferreira de Almeida, criticando ainda o atendimento hospitalar que é prestado aos mais velhos, «com repetidas idas e voltas sem que nada de significativo seja feito face aos respetivos quadros clínicos» ou ainda os «muitos casos de altas precipitadas».