A Quercus afirmou esta terça-feira que está «preocupada» com o eventual transbordo de material químico nos Açores, proveniente da Síria, alertando que a operação «tem um risco bastante considerável» e pediu ao Governo para que tranquilize a população rapidamente.

O presidente do Governo dos Açores disse esta terça-feira que foi consultado sobre a eventual disponibilização do porto da Praia da Vitória, na ilha Terceira, para o transbordo de armas químicas provenientes da Síria.

Questionado pela agência Lusa sobre os perigos de uma operação deste tipo, o presidente da Quercus, Nuno Sequeira, disse que «há eventuais riscos de contaminação do ar, dos solos, da água e até das populações humanas».

«Estamos preocupados, como todos os portugueses devem estar preocupados, porque se trata de uma operação que tem um risco bastante considerável. As armas químicas são armas de destruição massiva, são fabricadas para causar danos», afirmou Nuno Sequeira, salvaguardando que a informação de que a Quercus dispõe, neste momento, é a que tem sido veiculada pela comunicação social.

Ainda assim, o presidente da organização ambiental disse acreditar que o Governo «esteja a fazer tudo para garantir as condições de segurança necessárias».

«O que é necessário é que [o Governo] reaja rapidamente e que tranquilize as pessoas. Não é uma operação habitual e, além da segurança, é necessário que haja condições de tranquilidade», apelou Nuno Sequeira.

Para aquele responsável, a confirmar-se que o transbordo de material químico se realiza nos Açores, é preciso esclarecer que organismos nacionais e internacionais vão acompanhar a operação, que medidas de fiscalização vão ser tomadas e que tipo de licenciamento vai ser feito.

«Entendemos que haja algum sigilo, mas temos que exigir que o Governo venha dar este esclarecimento», afirmou Nuno Sequeira.

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, confirmou esta terça-feira que o executivo que lidera «foi consultado e tem acompanhado o processo de disponibilização por Portugal de instalações portuárias na Praia da Vitória, no âmbito da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas relativa ao processo de destruição de material químico da Síria».

O presidente do Governo Regional sublinhou que, «conforme é público, não há ainda nenhuma decisão».

«O Governo dos Açores tem acompanhado, em estreita colaboração, desde logo, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, um conjunto de questões que interessa clarificar, esclarecer, detalhar em relação a este processo, nomeadamente aquelas que dizem respeito a questões de segurança e de operacionalidade das instalações portuárias», acrescentou.