Um juiz de instrução criminal decidiu esta sexta-feira levar a julgamento o caso em que o ex-presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, está acusado de abuso de confiança e falsificação de documentos.

Narciso Miranda não pediu a abertura da instrução do processo, tendo esta sido requerida por três dos 17 arguidos envolvidos no processo, afirmou à Lusa a advogada de defesa, Paula Godinho.

Segundo a acusação, o antigo autarca de Matosinhos desviou dinheiro da Associação Narciso Miranda – Matosinhos para Sempre que se destinava a financiar a sua candidatura independente à câmara nas eleições autárquicas de 2009.

O ex-presidente terá simulado «várias» obras na associação, arranjando faturas falsas, para justificar o alegado desvio de dinheiro.

«[Narciso Miranda] refuta por completo os factos», sublinhou a defesa.

O antigo autarca de Matosinhos está já a ser julgado em outro processo, enquanto presidente da Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede Infesta (ASMSMI), por abuso de confiança, simulação de crime (roubo de um smartphone para receber modelo mais recente), peculato e participação em negócio.

Enquanto desempenhava funções de presidente do Conselho de Administração da associação mutualista, Narciso Miranda terá adjudicado serviços a empresas de que faziam parte familiares, alguns deles de forma «ilegal» ou nunca realizados.

Uma das filhas de Narciso Miranda e um ex-sócio também são arguidos no processo por, alegadamente, terem participado no esquema que lesou a associação em mais de 70.000 euros.