O Tribunal de Coimbra começou esta quinta-feira a julgar um homem acusado de deixar a namorada morrer queimada dentro de um carro em chamas, em Cantanhede, em 2008, tendo o arguido optado por não prestar depoimento perante o coletivo de juízes.

Na primeira sessão de julgamento, o arguido, de 32 anos, optou por não prestar qualquer depoimento, estando acusado pelo Ministério Público de homicídio simples por, alegadamente, ter premeditado a morte da namorada, na altura com 22 anos, deixando-a dentro de um carro em chamas, não a socorrendo nem pedido ajuda, após uma colisão contra uma árvore, numa estrada entre Portunhos e Outil, no concelho de Cantanhede, a 01 de maio de 2008.

Durante a sessão, um dos inspetores da PJ afirmou, como testemunha, que não houve o "mínimo de esforço ou intenção" por parte do arguido de socorrer a vítima, quer por "esforço físico", quer por contacto às autoridades.

Uma das testemunhas presentes, colega de trabalho e amiga da vítima, contou que a relação entre o arguido e a namorada "não estava bem".

A vítima dizia que "não queria mais" estar com o namorado e surgia no trabalho "com nódoas negras", que afirmava serem resultado de quedas, disse a colega.

A testemunha, segundo conversas com a jovem de 22 anos, referiu que, “em meados” de dezembro de 2007, a vítima e o namorado terão tido um despiste em que, antes do carro se "despenhar", o namorado saltou da viatura e disse "vai".

A colega de trabalho da vítima mortal sublinhou ainda que a jovem mostrava "vontade de ter outra relação" e que, um dia antes da sua morte, a 30 de abril de 2008, terá confidenciado à amiga que estava "decidida" a acabar o namoro com o arguido.

Outra amiga da jovem contou em tribunal que a vítima lhe terá dito que o namorado lhe tinha batido uma vez e que esta, sempre que saiam juntas, não queria "ir para um local onde ele estivesse".

O arguido manteve uma relação de namoro de oito anos com a jovem que faleceu em 2008.