A greve dos serviços prisionais impediu, esta terça-feira, a presença, no Tribunal de Sintra, de cinco dos 23 arguidos que começaram a ser julgados por associação criminosa no assalto a 24 caixas multibanco com recurso a explosivos.

Os arguidos são ainda acusados de roubos em estabelecimentos e furto de viaturas.

Dos 12 arguidos em prisão preventiva, apenas sete que se encontram detidos no Estabelecimento Prisional de Caxias e na zona prisional da Polícia Judiciária compareceram no Tribunal de Sintra. Os restantes cinco, no Estabelecimento Prisional de Lisboa, não foram transportados pelos guardas prisionais.

Um dos três suspeitos de ter fundado o grupo continua em regime de prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

O coletivo de juízes, presidido por Pedro Neves, começou pela separação processual do julgamento de outros dois arguidos, que também não compareceram, mas por motivos diferentes: um deles porque foi entretanto expulso do país e outro por se encontrar em paradeiro desconhecido.

Este arguido, apesar de ter requerido a abertura de instrução, viu o juiz de instrução criminal confirmar os crimes de que estava acusado e emitir mandado de detenção, com vista à sua prisão preventiva.

O juiz procedeu à identificação dos arguidos presentes, com alguns a responderem que pretendem prestar declarações no início do julgamento. A procuradora da República reservou a sua intervenção inicial para quando estiverem todos presentes.

O juiz de instrução criminal pronunciou os 23 arguidos pelo «crime de associação criminosa» e confirmou a acusação contra alguns dos arguidos em coautoria de outros crimes, como de «provocação de explosão com perigo doloso para a vida e bens patrimoniais alheios de valor elevado», «furto qualificado», «roubo», «detenção de armas proibidas» ou «tráfico de droga».

Além dos assaltos a 24 caixas automáticas de pagamento (ATM), nem sempre com sucesso, foram roubadas dez viaturas (duas por «carjacking») para a prática dos crimes e dois estabelecimentos comerciais, que renderam mais de 350.000 euros.

Os roubos de ATM ocorreram em agências bancárias, edifícios públicos e comerciais e postos de combustível. Os equipamentos eram arrombados através do alargamento do orifício de saída das notas com um pé de cabra, e posterior rebentamento de um cartuxo explosivo, com detonador e cordão de rastilho.

O sistema antifurto de algumas ATM tingiu de tinta vermelha muitas das notas roubadas e os estragos em equipamentos e instalações totalizaram mais de 305.000 euros.

Segundo a Polícia Judiciária, a atividade decorreu entre abril e outubro de 2012, quando foram detidos 14 elementos, entre os quais os três fundadores, que congregaram esforços «para recrutarem fornecedores de explosivos civis», em empresas de construção civil e pedreiras, para o rebentamento das máquinas.

Em junho e julho de 2013 foram detidos mais seis suspeitos. O grupo residia no concelho de Sintra, mas alargou a atividade a Alcobaça, Amora, Cadaval, Cascais, Mafra, Oeiras, Santarém, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.