A presidente da Associação Sindical dos Juízes, Maria José Costeira, acusou hoje a ministra da Justiça de não assumir as suas responsabilidades e acusou-a de não ter cumprido o mandato, nem o programa do governo.

Em declarações à agência Lusa, Maria José Costeira, reagia à entrevista da ministra da Justiça ao jornal Público e à Rádio Renascença, considerando que Paula Teixeira da Cruz continua numa atitude “indesculpável num político a querer não assumir as suas responsabilidades”.
 

“Como é bom de ver é mais uma tentativa de desviar a atenção do verdadeiro problema que é o da ministra não ter cumprido o mandato, nem o programa de governo e o que a senhora ministra se esquece de referir, ou parece querer fugir à questão, é que para nós não há conflitos na justiça, não são partidários”, afirmou Maria José Costeira.


A ministra da Justiça atribuiu, em entrevista concedida em conjunto ao Público e à Rádio Renascença, a proximidade das eleições e as mudanças nas direções de associações de magistrados e juízes às relações conflituais existentes, que levaram aquelas organizações a cortar relações com Paula Teixeira da Cruz.
 

“Eu vivi quatro anos de muita tranquilidade, como é reconhecido, com todas as associações sindicais. Aproximam-se eleições e percebo que haja necessidade de agitação”, disse a ministra, em entrevista.


“A Associação Sindical dos Juízes é uma associação de juízes. Os juízes não fazem política partidária e os juízes não estão em eleições. Como é bom de ver, as críticas da ministra de que está a avizinhar-se um processo eleitoral passam completamente ao lado da associação. A senhora ministra, eventualmente, é que está a querer entrar no jogo politico partidário eleitoral não os juízes”, frisou a responsável.

Maria José Costeira avança que os juízes sempre acreditaram na boa-fé da ministra até ao dia em que perceberam que esta não existia.
 

“A senhora ministra insiste sempre no mesmo argumento que é uma demagogia populista que fica mal. As pessoas devem assumir as suas responsabilidades e os políticos mais ainda. Querer agora dizer que [o problema] é a nova direção da associação porque sempre conviveram bem com os juízes. Sempre conviveu bem porque os juízes acreditaram que a ministra estava de boa-fé até que, de repente, se chega ao momento em que se percebe que não há boa fé e que andou a enganar os juízes e a atitude teve de mudar necessariamente”, explicou.


Maria José Costeira frisou também que os juízes “estão numa função que é uma profissão, não passam por um cargo” e, os que estão na associação, “estão temporariamente, a exercer um mandato”, e de seguida, regressam aos tribunais a que pertencem e a lugares de onde, aliás, numa saem pois não estão em exclusividade na associação, explicou.

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público cortaram relações institucionais com a ministra da Justiça, em junho, por causa da não aprovação do novo estatuto profissional dos magistrados, que consideram fundamental para a nova reforma do mapa judiciário.

Maria José Costeira lembrou ainda que a ministra continua a repetir “argumentos absolutamente falaciosos, com dados falsos” relativamente à questão de uma proposta de que os auditores de justiça “conforme lhes chamou” iriam receber quatro mil euros.

“Desafio a ministra a mostrar quem lhe fez tal proposta, pois essa nunca foi feita.A senhora ministra pretende com argumentos falaciosos colocar a população naquele patamar de julgar que se há problemas na justiça se devem aos juízes e aos magistrados do ministério publico e isso é completamente falso”, afirmou.