O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, Fernando Jorge, considerou esta quarta-feira que a disponibilização da plataforma Citius «não significa que está tudo regularizado» na justiça, prevendo que vai demorar «algum tempo» até ficar tudo normalizado.

«É difícil de confirmar [a normalização do funcionamento do Citius] já que os tribunais abrem às nove horas, mas não é difícil prever que isso tenha um fundo de verdade. A disponibilização da plataforma não significa que está tudo regularizado», sustentou Fernando Jorge, em declarações à agência Lusa.

O responsável informático do Instituto de Gestão Financeira e dos Equipamentos da Justiça, Carlos Brito, avançou terça-feira que a plataforma Citius estaria, até à meia-noite daquele dia, operacional em todas as comarcas da nova organização judiciária.

Fernando Jorge lembrou que o facto de a plataforma já ter sido transferida para todos os tribunais, um mês e meio depois da data inicialmente prevista, 01 de setembro, vai levantar problemas, pois implica «um trabalho muito demorado para recuperar a normalidade».

«Em todos os tribunais vão ter de ser analisados processo a processo e só quando são consultados é que se vão vendo eventuais deficiências que surgem. Já foram detetadas algumas onde foi primeiro disponibilizada a plataforma», explicou, dando como exemplo os tribunais de Sintra, Loures e Évora.

Segundo o responsável há tribunais em que faltam processos, ou apensos a processos que foram distribuídos em secções diferentes onde estavam os processos principais.

«Vai ser um trabalho demorado nos próximos tempos, mesmo meses para recuperar a normalidade. Até porque, para além das deficiências que o programa vai manifestando, há todo o trabalho que foi feito durante este mês e meio que não esta na plataforma e que vai ter de ser recuperado, foram muitos atos e documentos que entraram neste s últimos 45 dias», avançou.

Fernando Jorge lembrou que a ministra da Justiça prometeu, numa entrevista a 03 de setembro, a abertura de um concurso para preenchimento de lugares vagos, que neste momento são cerca de mil, e que ainda estão à espera da medida.

«Com este número de funcionários não é possível recuperar num tempo razoável todo o trabalho acumulado que temos vimos a constatar» ser necessário, concluiu.