O Tribunal da Régua condenou, esta quarta-feira, um jovem a uma pena de 22 anos de cadeia e ao pagamento de uma indemnização de 560 mil euros pelo homicídio qualificado de um emigrante, sobre quem efetuou vários disparos.

O jovem foi condenado a 22 anos, em cúmulo jurídico, pelos crimes de homicídio qualificado, falsificação de documentos, condução sem habilitação legal, recetação, posse de arma ilegal, tendo sido absolvido do crime de tráfico de estupefacientes.

O caso remonta a dezembro de 2012, quando o rapaz, na altura com 21 anos, matou um emigrante de 42 anos, que era natural de Poiares e tinha quatro filhos.

O coletivo do Tribunal de Peso da Régua deu como provado que a vítima, um emigrante em França que estava de férias no país, se deslocou ao bairro das Alagoas, mais conhecido como bairro Verde, para comprar heroína.

O arguido não aceitou o preço proposto pela vítima, que se deslocou do local onde pretendia fazer essa transação e parou a sua viatura a cerca de 100 metros. O jovem não aceitou que o emigrante pudesse comprar o produto estupefaciente a outra pessoa e disparou, pelo menos quatro tiros, em direção à vítima, um dos quais o atingiu na zona do pescoço.

A vítima ainda foi transportada para o Hospital de Vila Real, onde acabou por morrer dias mais tarde.

O suspeito colocou-se de imediato em fuga, tendo sido detido a 28 de janeiro, em Matosinhos, numa operação conjunta entre a Polícia Judiciária (PJ) e a GNR de Peso da Régua.

O juiz que leu esta quarta-feira o acórdão afirmou que o jovem tem que ser castigado pelos «graves factos» que cometeu, referindo mesmo que se trata de um ato «inqualificável».

A favor do arguido, segundo o juiz, foi considerada apenas a idade e a inexistência de antecedentes criminais.

Para além dos 22 anos de cadeia, o tribunal condenou ainda o jovem ao pagamento de uma indemnização de 560 mil euros, pelos danos materiais e morais causados.

A advogada de defesa do arguido, Paula Santos, disse aos jornalistas que, depois de conversar com o arguido, irá analisar se «valerá a pena ou não proceder ao recurso» do acórdão.

Por sua vez, Henrique Faria, advogado da família da vítima, mostrou-se satisfeito com a pena aplicada, que reflete a «gravidade dos factos que foram cometidos», lamentando, no entanto, a «vida que foi ceifada».