A audiência prévia do julgamento do processo instaurado contra a Audi, pela vítima de um acidente de viação, em 2008, que lhe provocou 96% de incapacidade, está programada para 04 de novembro, no Tribunal de Setúbal.

Após a audiência preliminar, em que se identifica o objeto de litígio e o rol de provas, o juiz programará as sessões de julgamento do processo. Segundo a acusação, está em causa o facto de não terem funcionado os «airbags» do automóvel em que seguia a vítima, na altura do acidente.

«Tal defeito originário do equipamento (...) integra o facto ilícito gerador dos danos sofridos e é imputável (...) a título doloso», ao construtor alemão de automóveis, afirma a acusação.

Na ação, interposta pela vítima, que sofreu incapacidade motora e multideficiência profunda, e pela sua mãe, sustenta-se que a falha nos «airbags» se registou ao «nível da unidade de comando do sistema de "airbags", [por causa] de defeito de construção ou de conceção», o que também é salientado em relatório pericial.

A acusação refere ainda que a construtora «conhecia a existência» da deficiência, ocorrida «em diversas unidades automóveis» idênticas à que a vítima conduzia, aquando do acidente, numa estrada nacional, em Sesimbra.

No recurso para o Tribunal de Sesimbra, é pedido o ressarcimento de danos sofridos em 1,2 milhões de euros e a instituição de uma pensão anual vitalícia de 10.000 euros, assim como o montante mensal de 406,92 euros, valor médio da medicação em cada mês.