Os dois membros da Polícia Judiciária que trabalharam na plataforma informática Citius e que foram alvo da participação de sabotagem informática foram inquiridos, esta quarta-feira. E foram-no como arguidos, no âmbito do inquérito-crime aberto pelo Ministério Público, revelou à Lusa a advogada de ambos, adiantando adianta que foram eles que, por uma questão de «honra» se prontificaram a falar.

Isabel Duarte referiu que a participação resultante do relatório do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos de Justiça (IGFEJ) sobre as falhas ocorridas no Citius invoca a prática pelos arguidos (Hugo Tavares e Paulo Queirós) de um crime de sabotagem informática agravada.

Os dois profissionais quiseram, por isso,  prestar declarações em sede de inquérito, ao procurador Pedro Verdelho. Isto depois da forma negativa como foram «publicamente tratados». Entenderam que era um «ponto de honra» e uma exigência prestar esclarecimentos ao Ministério Público.

A inquirição, que ocorreu nas instalações da Procuradoria-Geral da República, em Lisboa, começou cerca das 14:00 e terminou às 17:30.

A reforma do mapa judiciário entrou em vigor no início de setembro e, durante todo o mês, os problemas de funcionamento do Citius multiplicaram-se. A ministra da Justiça chegou a pedir desculpa, mas garantiu que todas as informações que recolheu foram que estava tudo operacional com a plataforma. Daí ter sido colocada em prática. No sistema judicial, muitos falaram em «caos», que a ministra sempre recusou, admitindo, apenas, percalços.

De qualquer modo, Paula Teixeira da Cruz assegurou que ia ser aberto um inquérito interno e disse, no final de outubro, que não havia «ninguém suspenso». O Ministério Público confirmou, depois, a investigação por sabotagem. Os técnicos visados garantiram que o Ministério da Justiça tem, em sua posse, toda a documentação relevante