O Tribunal de Aveiro condenou esta sexta-feira sete dos dez acusados de pertencerem a uma rede de tráfico de droga a penas de prisão efetiva que variam entre os cinco anos e meio e os nove anos.

Os arguidos, com idades entre os 18 e 39 anos, residiam no acampamento popularmente conhecido como "Astérix", em Ílhavo, um local conotado com o tráfico de estupefacientes.

Durante a leitura do acórdão, a juíza presidente disse que o tribunal considerou provada a maioria dos factos que constavam da acusação.

O coletivo de juízes teve em conta os depoimentos dos militares da GNR que efetuaram as vigilâncias e dos consumidores de estupefacientes.

A juíza presidente referiu que durante o julgamento foram apuradas cerca de 900 vendas concretas, um valor que, segundo a magistrada, será uma "parte ínfima" daquelas que terão sido levadas a cabo pelos arguidos.

O coletivo deu também como provado que alguns dos arguidos chegaram a recorrer a menores para fazer a entrega de estupefacientes.

Dos dez arguidos, seis mulheres e quatro homens, apenas um foi absolvido do crime que lhe estava imputado, por não se ter apurado o seu envolvimento em qualquer ato ilícito.

As penas mais gravosas foram aplicadas a seis arguidos acusados do crime de tráfico de estupefacientes agravado que foram condenados penas de prisão entre cinco anos e meio e os nove anos.

Uma outra arguida foi condenada pelo mesmo crime na forma agravada, mas beneficiou de uma atenuação especial da pena, decorrente da aplicação do regime especial para jovens delinquentes, tendo apanhado dois anos e meio de prisão suspensa.

Um arguido foi condenado a cinco anos e meio de prisão por tráfico de estupefacientes, enquanto outra arguida foi sancionada com uma pena de dois anos suspensa, por um crime de tráfico de menor gravidade.

Todo o dinheiro e bens apreendidos nas residências dos arguidos foram declarados perdidos a favor do Estado.

Os seis arguidos que se encontram em prisão preventiva vão continuar nessa situação até ao trânsito em julgado da decisão condenatória.

Segundo a acusação do Ministério Público, os arguidos dedicavam-se à venda de estupefacientes, designadamente heroína, cocaína e canábis, a um grande número de consumidores com caráter diário e em grande quantidade.

Os detidos, quase todos da mesma família, foram detidos pela GNR durante uma operação policial de combate ao tráfico de droga realizada no dia 18 de maio de 2015.

Durante a operação foram apreendidas quase 200 gramas de droga (haxixe, heroína e cocaína), cerca de 126 mil euros em dinheiro, dezenas de peças em ouro, telemóveis e eletrodomésticos.