Um grupo de 14 pessoas, acusadas de assaltar casas em várias zonas do país, começou esta quarta-feira a ser julgado no Tribunal São João Novo, no Porto, tendo um dos arguidos assumido a coautoria dos crimes.
 
O arguido, de 23 anos, confessou ter assaltado 53 casas, entre 2011 e 2013, ano em que foi detido, para «sustentar» o vício da droga, dado ter sido consumidor de cocaína tendo, inclusive, estado internado.
 
Segundo a acusação, os 14 suspeitos, três dos quais em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, com idades entre os 20 e 55 anos, assaltaram várias residências, levando bens no valor total de 508 mil euros.
 
Os homens agiam em «comunhão de esforços» e em grupos de dois ou três para uns entrarem no interior das casas e outros vigiarem.
 
O modus operandi era sempre igual: os suspeitos usavam uma chave de fendas para abrir a porta de entrada do prédio e, antes de se introduzirem no interior das habitações, com recurso a um alicate de pressão para arrombar o canhão, tocavam à campainha e escutavam se ouviam barulho para se certificar de que não estava ninguém.
 
A acusação refere que os homens levavam essencialmente artigos em ouro e prata, que eram vendidos no próprio dia ou no seguinte, assim como aparelhos eletrónicos (televisões, computadores, máquina ou fotográficas).
 
Matosinhos, Gaia, Espinho, Maia, Ovar, Oliveira de Azeméis, Leça da Palmeira, Porto, Gondomar, Gafanha da Nazaré, Ílhavo, Estarreja, Marco de Canaveses, São João da Madeira, Cucujães e Santa Maria da Feira foram as localidades onde se realizaram os assaltos.
 
O arguido que admitiu a prática destes crimes mostrou-se arrependido e frisou que nunca atuou sozinho, havendo repartição de tarefas.
 
Nos assaltos, o homem revelou nunca ter usado armas porque não queria fazer mal a ninguém. «Não me orgulho do que fiz», realçou.
 
Acrescentou que não estudava as habitações e locais a assaltar, sendo a escolha feita «ao acaso».
 
Outro dos arguidos falou perante o coletivo de juízes para negar os factos imputados, dizendo «nunca» ter estado em determinadas localidades onde os assaltos foram cometidos.
 
Um terceiro suspeito, que compra, vende e repara carros, acusado de fornecer a baixo custo os automóveis para os arguidos praticarem os crimes, assim como de guardar e trocar automóveis na hora para «despistar as forças policiais», quando os ofendidos ou testemunhas tinham as matrículas, frisou não saber que os «conhecidos» praticavam «atividades ilícitas».
 
O julgamento continua no próximo dia 21, às 09:30.