O homem acusado de ter tentado matar os ex-patrões que lhe deviam dinheiro, em maio de 2014 em Alvaiázere, disse esta quarta-feira, no Tribunal Judicial de Leiria, onde começou o julgamento, que disparou para «intimidar».

«Era só para intimidar», afirmou o arguido, de 54 anos, residente em Pombal, acusado pelo Ministério Público (MP) de dois homicídios qualificados na forma tentada e um de detenção de arma proibida.

O despacho de acusação refere que no decurso de 2004 ou 2005 o arguido, que se encontra em prisão domiciliária, «iniciou funções por conta e direção» dos ofendidos, para os quais trabalhou cerca de seis meses.

«Todavia, apesar de ter recebido alguns valores monetários por conta do trabalho realizado», o acusado deixou de trabalhar para o casal - dado que nunca recebia o salário completo e nas datas devidas -, que lhe ficou «a dever cerca de 2.340 euros», adianta o MP.

Segundo o MP, desde 2005 que o acusado «vinha interpelando» o ex-patrão no sentido de este pagar os montantes em falta, mas aquele «acabava sempre por adiar o pagamento».

Na primeira sessão do julgamento, o arguido disse que no dia dos crimes o ex-patrão não apareceu em sua casa, como prometeu fazê-lo uns dias antes quando se encontraram, pelo que foi à casa daquele, em Almoster, concelho de Alvaiázere, mas ninguém o atendeu, apesar de ter ouvido uma porta a bater e um carro a trabalhar que saiu por uma serventia.

Por isso, regressou a Pombal, «para ver se esquecia», mas acabou por ir buscar uma arma a casa, dirigindo-se, de novo, a Alvaiázere.

De acordo com arguido, o ex-patrão «recusou-se a pagar», alegando que os clientes não lhe pagaram.

O acusado referiu que disparou «de qualquer maneira, mais ou menos a um metro» do ex-patrão, quando a mulher deste «vem a correr» para o «agarrar» pelas costas.

«Era só para intimidar, quando disparei estava a olhar para a mulher, para trás», declarou, negando intenções de atingir o ex-patrão.

À pergunta por que levou a arma carregada se a intenção era apenas para intimidar, o arguido afirmou que eram as munições que a arma tinha e que sabia que «estavam lá dentro» mas não as tirou, argumentando que levou a pistola para que o ofendido lhe desse o dinheiro, porque estava a passar por «muitas dificuldades económicas».

«Se tivesse intenções de matar tinha mais uma bala na pistola», observou.

Adiantando que «os tiros foram praticamente seguidos», o homem justificou o disparo sobre a mulher, que não a atingiu, por temer que esta o agredisse, mas assegurou que disparou «sem querer».

Hoje, o tribunal ouviu os ofendidos, com o ex-patrão a dizer que informou o arguido que iria «verificar a situação» das contas e negou que lhe tenha dito que não lhe devia dinheiro.

Acrescentou que o arguido, antes de disparar, lhe encostou a arma à cara, acabando por o atingir na face.

O julgamento prossegue com a audição de outras testemunhas.