O artista plástico Júlio Pomar afirmou nesta quarta-feira à agência Lusa que se recorda de Nadir Afonso, falecido hoje aos 93 anos, como «um mito» e «um homem-espetáculo», quando entrou para a escola de Belas Artes do Porto.

«Até a sua aura talvez fosse, no Porto no meio da Escola das Belas Artes, superior. Até pela raridade dos fenómenos. Era particular. Hoje com a banalização do 'personagem artístico' e das suas diferentes aplicações na sociedade contemporânea, tudo está mais classificável. Nós não no admiramos com o fenómeno Joana Vasconcelos, por exemplo, mas admirávamo-nos como o fenómeno Nadir Afonso, nesse anos, em que durava a segunda Guerra Mundial», afirmou Júlio Pomar, 87 anos.

Para o pintor, Nadir Afonso era «sobretudo um personagem diferente». «Em relação ao próprio meio era muito mais homem-espetáculo do que seria hoje».

Nascido em Chaves, em 1920, Nadir Afonso Rodrigues diplomou-se em arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, mas viria a trocar a arquitetura (depois de trabalhar com Le Corbousier e Oscar Niemeyer) pela pintura, alcançando reconhecimento internacional.

Estudou pintura em Paris e foi um dos pioneiros da arte cinética, trabalhando ao lado de Victor Vasarely, Fernand Léger, August Herbin, Cândido Portinari, e André Bloc.

Foi distinguido em 1967 com o Prémio Nacional de Pintura e em 1969 com o Prémio Amadeo de Sousa-Cardoso. Foi igualmente condecorado com os graus de Oficial (1984) e de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (2010).

Em 2009, para assinalar os 70 anos de carreira do pintor, a Assembleia da República prestou-lhe homenagem, organizando uma exposição intitulada «As Cidades no Homem», com vinte telas produzidas por Nadir desde a década de 1940.

Nadir Afonso morre sem ver concluídas as obras de construção da sede da Fundação Nadir Afonso, um projeto desenhado pelo arquiteto Álvaro Siza Vieira que deverá albergar um ateliê, salas de exposição, auditório, biblioteca e o espólio do artista.