O ex-ministro Miguel Macedo voltou ao tribunal, esta segunda-feira, para a continuação do julgamento do processo dos Vistos Gold, em que é arguido. À saída, não quis responder às perguntas dos jornalistas, mas mostrou-se de consciência tranquila.

"Os senhores estiveram lá e ouviram. O meu dever era responder às questões e eu respondi", foi dizendo, no Campus de Justiça, perante a insistência dos jornalistas.

Sobre se foi surpreendido no decorrer da sessão de hoje, não respondeu. E à pergunta "vai esperar pelas alegações do ministério público?", disse apenas: "Oh, isso...".

[Está de consciência tranquila?] Eu estou"

Também hoje, o seu advogado, Castanheira Neves, disse que a acusação é infundada e espera que o julgamento sirva para repor a verdade.

Foi a 5 de fevereiro último que o ex-ministro da Administração Interna falou, pela primeira vez em tribunal, nestes últimos três anos, sobre este processo, que conta com 17 arguidos.

Miguel Macedo está acusado de quatro crimes pelo Ministério Público. 

O ex-ministro demitiu-se em novembro de 2014 do cargo de ministro da Administração Interna, tendo-lhe sido imputado pelo Ministério Público o alegado favorecimento de um grupo de pessoas que pretendia lucrar de forma ilícita com os Vistos Gold, realizando negócios imobiliários lucrativos com empresários chineses que pretendiam obter autorização de residência para Investimento.

Desse grupo faziam parte alegadamente Jaime Gomes, empresário e amigo de Miguel Macedo, António Figueiredo, ex-presidente do Instituto de Registos e Notariado, e o empresário chinês Zhu Xiaodong.

Em causa estão também alegados favorecimentos a uma empresa de Paulo Lalanda Castro, ex-patrão da farmacêutica Octopharma, e ao Grupo Bragaparques.

Em causa no processo "Vistos Gold", que conta com 21 arguidos, estão crimes de corrupção ativa e passiva, recebimento indevido de vantagem, prevaricação, peculato de uso, abuso de poder, tráfico de influência e branqueamento de capitais.