Pedro Dias, o alegado homicida de Aguiar da Beira, conhece a sentença do julgamento esta quinta-feira, no Tribunal da Guarda. A leitura do acórdão do suspeito, que tem aguardado o julgamento em prisão preventiva, ficou marcada para as 14:30.

O “Piloto”, alcunha pela qual é conhecido em Arouca, a sua terra natal, está acusado da prática de três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada, três crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada, três crimes de sequestro, crimes de roubo de automóveis, de armas da GNR e de quantias em dinheiro, bem como de detenção, uso e porte de armas proibidas.

O julgamento, que contou com 76 testemunhas por parte da acusação, começou a 3 de novembro do ano passado, sob fortes medidas de segurança.

O caso, porém, remonta a outubro de 2016, mais precisamente à madrugada de 11 de outubro, em Aguiar da Beira. Pedro Dias disparou sobre o militar da GNR Carlos Caetano, que acabou por morrer, feriu outro militar da GNR com gravidade, roubou o carro da polícia e pôs-se em fuga. Percorreu cerca de 25 quilómetros e depois roubou um carro a um casal que ia a caminho de uma consulta, em Coimbra. Terá disparado sobre as duas vítimas, Liliane e Luís Pinto. O homem morreu no local e a mulher morreu cinco meses depois de ter sido alvejada.

Pedro Dias, que tinha 44 anos à altura dos factos, esteve quase um mês em fuga até se ter entregado às autoridades, no dia 8 de novembro. Durante 29 dias foi o homem mais procurado do país.

O Ministério Público pediu 25 anos de prisão, a pena máxima, para o alegado homicida, considerando incoerente e inconsistente a versão que o arguido apresentou em tribunal.

Durante as alegações finais, a procuradora disse que a versão contada pelo arguido "não encontra apoio" na prova produzida em audiência de julgamento e que o Tribunal da Guarda terá de aplicar a pena máxima.

Com efeito, Pedro Dias contou, em tribunal, a sua versão do que aconteceu em Aguiar da Beira. O suspeito disse que baleou o militar Carlos Caetano porque estava a ser agredido "com murros e pontapés", garantindo que o objetivo não era matar, mas apenas acabar com a agressão.

O arguido disse ainda que se sentiu com medo e desnorteado e que foi por isso que mandou o militar da GNR que sobreviveu desapertar o cinto onde tinha a arma e entrar no carro patrulha. "Só queria sair dali", disse.

Mais, Pedro Dias rejeitou responsabilidades nas mortes de Liliane e Luís Pinto. O arguido disse que foi o militar da GNR António Ferreira quem matou o casal na estrada.

Por isso, a defesa pediu a absolvição de Pedro Dias pelos homicídios de Liliane e Luís Pinto. A advogada Mónica Quintela admitiu, porém, a condenação do réu por um crime de homicídio privilegiado, de Carlos Caetano, e por um crime de tentativa de homicídio simples do militar António Ferreira. A advogada explicou que as molduras penais são diferentes: um a cinco anos no homicídio privilegiado e 12 a 25 anos no homicídio qualificado.

À semelhança do Ministério Público, os advogados das vítimas também pediram pena máxima.

O advogado dos dois GNR agredidos, Pedro Proença, ameaçou ainda processar o fugitivo de Aguiar da Beira por causa das declarações em que o arguido atribui os homicídios de Liliane e Luís Pinto ao militar sobrevivente.

Questionado pelos jornalistas se isso pode implicar um novo julgamento de Pedro Dias, Pedro Proença admitiu que sim e que poderá avançar com uma queixa mesmo que o arguido seja condenado à pena máxima. “Nós não vamos deixar passar em claro esta ofensa grave à integridade e à honra” dos militares passe incólume”, adiantou.

Já o advogado dos familiares de Luís Pinto e Liliane Pinto, João Paulo Matias, defendeu que Pedro Dias matou o casal para levar o carro. Para isso, e segundo o advogado, Pedro Dias montou um cenário de uma operação stop, que acabou em tragédia, pretendendo, desta forma, lançar a confusão na investigação e desviar a atenção dele próprio. João Paulo Matias sublinhou que foi por isso que usou a Glock da GNR e não a sua própria arma

O advogado do casal Pinto considerou que este é um dos casos em que o ordenamento jurídico português "devia repensar a pena máxima de prisão" e disse esperar que "a justiça divina também faça a sua parte do trabalho, além da justiça terrena".