O ex-presidente da Câmara de Matosinhos Narciso Miranda recusou-se, esta quarta-feira, de novo, a prestar declarações no julgamento em que é acusado de desviar dinheiro de uma associação mutualista que liderou. Mas o ex-autarca garantiu que irá pronunciar-se sobre as acusações de que é alvo numa fase mais adiantada do julgamento.

De acordo com a Lusa, Narciso Miranda está acusado, enquanto presidente do Conselho de Administração da Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede Infesta (ASMSMI) , de abuso de confiança, simulação de crime (roubo do smartphone para receber modelo mais recente), peculato e participação em negócio.

De acordo com a acusação, quando desempenhava aquelas funções, Narciso Miranda terá adjudicado serviços a empresas de que faziam parte familiares, alguns deles de forma «ilegal» ou nunca realizados.

Uma das filhas de Narciso Miranda e um ex-sócio também são arguidos no processo por, alegadamente, terem participado no esquema que lesou, em mais de 70.000 euros, a ASMSMI.

Na audiência desta quarta-feira do julgamento, um membro da associação recordou que houve dúvidas sobre a gestão de Narciso Miranda devido à adjudicação de serviços a uma empresa onde uma filha sua, também arguida, era sócia. Pouco depois do surgimento destas dúvidas, levantadas pelo tesoureiro da associação, o ex-autarca demitiu-se.

Outra das testemunhas, genro de Narciso Miranda, adiantou que a empresa onde a mulher era sócia foi criada para suportar o projeto da construção de um lar, criado por si enquanto arquiteto. Apesar de a construção do lar nunca ter avançado, o arquiteto disse que a empresa da mulher pagou àquela em que trabalhava como arquiteto o serviço, no valor de 17.500 euros.

«A minha mulher nunca teve qualquer intervenção na empresa [de que era sócia], apenas assinou a escritura porque eu não estava disponível», referiu.

A filha de Narciso Miranda falou para dizer que não sabia nada sobre os factos que lhe são imputados e o ex-sócio do autarca confessou a acusação, mas assumindo ter sido o «único» beneficiário.

A audiência de julgamento prossegue a 4 de dezembro, pelas 09:30.