Um grupo de 133 pessoas começou hoje a ser julgado no salão nobre dos Bombeiros de Valadares, Vila Nova de Gaia, por estar envolvido num esquema de burlas com listas telefónicas que terá, alegadamente, rendido 3,3 milhões de euros.

Segundo a acusação, os arguidos - acusados de associação criminosa e burla qualificada – contactavam particulares, empresas e instituições e convenciam os responsáveis de que tinham uma fatura por pagar relativamente a um contrato de publicidade com editoras de listas telefónicas.

As vítimas estranhavam o contacto porque sabiam que não tinham celebrado nenhum contrato de publicidade, mas os arguidos imprimiam listas telefónicas falsas com anúncios, também eles falsos, para dar maior credibilidade à “história”.

De forma insistente, os alegados burlões contactavam as vítimas exigindo-lhe pagamentos porque, caso contrário, avançariam com processos de cobrança coerciva e, por medo, algumas acabaram por pagar o valor pedido, sustenta a acusação.

Muitas das vítimas acreditavam estar a ser contactadas pela Páginas Amarelas, aumentando a credibilidade do telefonema.

O julgamento, que hoje foi dedicado a identificar os 133 arguidos, tem 204 advogados e 826 testemunhas.