Um jovem acusado de ter atropelado mortalmente uma mulher de 47 anos, em 2013, em Aveiro, colocando-se em fuga, disse esta segunda-feira no Tribunal não se ter apercebido de que a viatura que conduzia bateu numa pessoa.

«Estava tudo escuro. Não me apercebi de nada. Só senti o estrondo», declarou o arguido, de 23 anos, acusado dos crimes de homicídio negligente, condução perigosa de veículo rodoviário e omissão de auxílio.

Em julgamento no Tribunal de Aveiro estão ainda três amigos do jovem, com idades entre os 20 e os 24 anos, que respondem por crimes de omissão de auxílio e condução perigosa de veículo rodoviário.

O caso ocorreu na madrugada de 11 de agosto de 2013, cerca das 04:35, na zona de Taboeira, em Esgueira, e o responsável pelo atropelamento só se entregou à PSP cerca de cinco horas depois do acidente.

Perante o coletivo de juízes, o arguido explicou que imobilizou o carro uns metros à frente da zona do embate, ao lado de uma segunda viatura onde viajavam outros dois arguidos, mas não foram ver o que tinha acontecido, porque estavam com medo.

«Naquele momento começámos a meter as mãos à cabeça e a entrar em pânico», afirmou o condutor, admitindo que tinham ingerido bebidas alcoólicas, no início da noite, mas que não foi por essa razão que não pararam no local do embate.

O condutor da segunda viatura disse que viu uma pessoa no meio da via e guinou o carro para a esquerda para se desviar, acabando por ficar virado ao contrário.

«Fiz inversão do sentido de marcha e retomei o meu caminho», afirmou o arguido, adiantando que parou uns metros mais à frente, depois de ouvir um estrondo".

Segundo a acusação deduzida pelo Ministério Público (MP), os quatro amigos passaram a noite em vários bares da cidade e, cerca das 04:00, decidiram deslocar-se a uma padaria, em dois automóveis.

Durante o trajeto, os arguidos cruzaram-se com a vítima mortal, que transitava apeada na berma da estrada, juntamente com mais três homens.

O primeiro carro a passar no local conseguiu desviar-se dos peões, mas o condutor da segunda viatura «não reduziu a velocidade, nem efetuou qualquer manobra evasiva, prosseguindo a normal marcha do mesmo», até embater no corpo da mulher.

Segundo o MP, a vítima foi projetada cerca de 40 metros, na sequência do embate com a viatura que circulava a pelo menos a 70 quilómetros por hora, num local onde a velocidade máxima permitida é de 50 quilómetros por hora, acabando por falecer no local.

«Nenhum dos arguidos procurou auxiliar a vítima, inteirar-se do seu estado ou sequer providenciar por assistência de emergência, abandonando aquela à sua sorte», segundo o MP, de acordo com o relato da Lusa.