Seis funcionárias bancárias relataram esta terça-feira nas Varas Criminais de Lisboa o «medo» vivido durante os roubos cometidos, alegadamente, pela mulher que ficou conhecida como «viúva negra», a qual lhes apontou uma arma enquanto exigia o dinheiro.

«Dirigiu-se ao balcão e disse: não armes estrilho [confusão] se não queres que acabe com a tua vida num minuto. Trazia óculos escuros enormes, vestia roupa escura e botas pretas. Colocou a arma em cima do balcão apontada para mim, coberta com uma peça [de roupa]. Tive muito medo. Pensei que fosse morrer», explicou a bancária de uma agência do Banif na Parede, que entregou cinco mil euros à suspeita, em abril de 2011.

Dulce Caroço, de 44 anos - que se encontra em prisão preventiva ao abrigo deste processo -, começou hoje a ser julgada na 1ª Vara Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, por 12 roubos a dependências bancárias em Lisboa, Oeiras, Estoril, Paço de Arcos e Parede, entre abril de 2011 e outubro de 2012, tendo arrecadado cerca de 16.000 euros.

Ficou conhecida entre as autoridades como a «viúva negra», por atuar sozinha, disfarçada com roupa e óculos escuros, boné ou lenço na cabeça e com recurso a uma réplica de arma de fogo de plástico.

«Colocou a arma em cima do balcão e pediu-me o dinheiro. Tive muito medo quando vi a arma apontada para mim. Senti-me ameaçada, o meu coração disparou e fiquei a tremer», relatou uma funcionária bancária de uma agência do Montepio, também na Parede.

A vítima acrescentou que a «arma era preta e pequena», mas que só conseguiu ver o cano, pois «estava tapada». Referiu ainda que a suspeita «tinha o cabelo apanhado, trazia um boné e uns óculos escuros grandes». A funcionária disse ao coletivo de juízes que entregou à presumível autora do crime «220 euros mais uma nota de 100 dólares».

Os relatos das restantes quatro funcionárias bancárias - uma delas estava grávida à data dos factos - em relação ao modo de atuação da suspeita foram muito semelhantes entre si e ao destas duas vítimas.

Nos quatro roubos - na Parede (2), Belém e Oeiras - as bancárias entregaram 310 euros, cerca de 1400 euros, 2085 euros e 340 euros. Neste último caso, o dinheiro era proveniente de um depósito bancário que havia sido feito por um cliente do banco, minutos antes do roubo.

«Tive bastante medo e a partir daquele dia foi complicado. Parei de trabalhar, procurei ajuda médica e estive duas semanas de baixa médica», afirmou outra das funcionárias.

Cinco das seis vítimas - todas mulheres - referiram que os roubos foram praticados à hora do almoço. Uma das situações ocorreu por volta das 09:00 da manhã.

Nenhuma das funcionárias bancárias conseguiu identificar a alegada autora dos roubos.

Antes do início do julgamento, o advogado da arguida, Carlos Bettencourt, pediu o adiamento da sessão alegando que algumas das entidades bancárias ainda não tinham entregado a declaração comprovativa de autorização da Comissão Nacional de Proteção de Dados para a gravação de imagens de videovigilância, as quais servem de prova em tribunal.

Contudo, a pretensão do defensor da arguida foi rejeitada pelo coletivo de juízes e pela magistrada do Ministério Público, escreve a Lusa.