O Tribunal da Guarda condenou hoje o luso-americano Allan Sharif a uma pena de prisão de dois anos e quatro meses por crimes de corrupção ativa e de burla qualificada, praticados em 2008 na cadeia local.

Allan Sharif foi condenado a um ano de cadeia por um crime de corrupção e a dois anos por outro de burla qualificada, mas em cúmulo jurídico o coletivo de juízes aplicou-lhe a pena de dois anos e quatro meses.

Outro arguido foi condenado a dez meses de cadeia por corrupção e a três anos pelo crime de burla, aplicando-lhe o tribunal a pena única de dois anos e quatro meses.

Um terceiro arguido, um enfermeiro reformado dos serviços prisionais, foi condenado a dois anos de prisão, pelo crime de corrupção, tendo a pena sido substituída por 480 horas de trabalho comunitário.

O quarto arguido, que se sentou no banco dos réus acusado dos mesmos crimes, foi absolvido.

O antigo enfermeiro foi ainda condenado a pagar mil euros ao Estado e Allan Sharif o valor de 4.150 euros.

O caso ocorreu quando o luso-americano, de 33 anos, se encontrava preso preventivamente no Estabelecimento Prisional da Guarda e envolveu mais três reclusos e um enfermeiro numa estratégia que permitiu a alegada utilização de telemóveis e a introdução de elevadas quantias em dinheiro na prisão.

O tribunal deu como provado que o antigo enfermeiro da cadeia da Guarda introduziu o telemóvel no estabelecimento, para utilização dos arguidos, e que recebeu mil euros em troca, que foram obtidos com a prática da burla de 5.900 euros a duas mulheres de uma imobiliária do Algarve.

Durante a leitura da sentença, o juiz presidente do coletivo do tribunal da Guarda que julgou o caso disse esperar que a condenação dos três arguidos «sirva para alguma coisa».

Referindo-se a Allan Sharif, justificou a aplicação da pena de prisão tendo em conta que depois de ter cometido os crimes de que foi julgado «foi condenado por mais três».

«O senhor está preso e o que se lembra de fazer? Praticar dois crimes? O senhor nem preso está bem», observou.

Após a leitura da sentença, o luso-americano disse aos jornalistas que a pena que lhe foi aplicada «é uma injustiça total».

«Isto é uma perseguição pessoal que me estão a fazer dos Estados Unidos da América» desde 2008, alegou, dizendo que não fez «nada» do que foi acusado.

Allan Sharif declarou que a sua condenação «foi uma surpresa total» e que os factos imputados são «tudo mentira».

Eliana Machado, advogada de Allan Sharif, disse discordar «de todo da decisão que foi proferida pelo tribunal» e que vai «recorrer da mesma».

«Entendo que ele devia ser absolvido», alegou, justificando que em seu entender «não existe prova para o condenar».