Um emigrante reformado de 68 anos, acusado de ter tentado matar a esposa, confessou, esta terça-feira, no tribunal de Aveiro, ter feito explodir duas botijas de gás no interior da residência de ambos, mas frisou que não queria matar ninguém.

Os factos ocorreram na madrugada de 24 de setembro de 2013, quando o arguido e a mulher, ambos emigrantes no Canadá, se encontravam de férias na Murtosa.

O homem, que começou a ser julgado por um crime de homicídio qualificado na forma tentada e outro de incêndio e explosão, justificou o seu comportamento com o facto de ter deixado de tomar a medicação para a depressão.

"Não sei o que dizer. Peço desculpa. Não tinha intenção de matar ninguém. Tenho vergonha de falar nisso. Eu não estava bem", disse o arguido, mostrando-se arrependido.


Questionado pela juíza presidente, o homem assegurou que quando abriu os bicos do fogão, a esposa, com quem está casado há 50 anos, já tinha saído de casa.

"O que eu pensei fazer era só para mim", afirmou o arguido, visivelmente emocionado.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), o arguido colocou uma botija de gás no interior da casa onde se encontrava também a esposa a dormir, libertando de seguida o seu conteúdo e, simultaneamente, ligou os bicos queimadores do fogão existente na cozinha para também libertar o gás contido na botija ligada àquele eletrodoméstico.

Depois, usando um isqueiro, fez deflagrar o gás libertado, provocando a combustão rápida do gás que se escapava da botija, saindo desta uma extensa chama, causando o chamado "efeito maçarico".

As chamas propagaram-se ao interior da casa, provocando danos materiais e queimaduras no arguido, que teve de receber tratamento hospitalar.

De acordo com a investigação, a mulher, que se mantivera deitada no sofá da sala, ainda antes do momento da ignição, escapou ilesa porque se apercebeu da fuga de gás e fugiu rapidamente para o exterior da habitação.

O incêndio foi extinto pelos Bombeiros da Murtosa, que mobilizaram para o local sete homens e duas viaturas.

"Caso não fosse a atempada intervenção dos bombeiros, tal incêndio e explosão colocavam em grave risco a vida e a integridade física de terceiras pessoas que se encontrassem nas imediações daquele imóvel, bem como de bens materiais de valor elevado", diz a acusação.

O arguido, que chegou a estar em prisão domiciliária, continua a viver com a mulher no Canadá.