Os factos ocorreram na madrugada de 24 de setembro de 2013, quando o arguido e a mulher, ambos emigrantes no Canadá, se encontravam de férias na Murtosa.

O homem, que começou a ser julgado por um crime de homicídio qualificado na forma tentada e outro de incêndio e explosão, justificou o seu comportamento com o facto de ter deixado de tomar a medicação para a depressão.

"Não sei o que dizer. Peço desculpa. Não tinha intenção de matar ninguém. Tenho vergonha de falar nisso. Eu não estava bem", disse o arguido, mostrando-se arrependido.

Questionado pela juíza presidente, o homem assegurou que quando abriu os bicos do fogão, a esposa, com quem está casado há 50 anos, já tinha saído de casa.

"O que eu pensei fazer era só para mim", afirmou o arguido, visivelmente emocionado.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), o arguido colocou uma botija de gás no interior da casa onde se encontrava também a esposa a dormir, libertando de seguida o seu conteúdo e, simultaneamente, ligou os bicos queimadores do fogão existente na cozinha para também libertar o gás contido na botija ligada àquele eletrodoméstico.

Depois, usando um isqueiro, fez deflagrar o gás libertado, provocando a combustão rápida do gás que se escapava da botija, saindo desta uma extensa chama, causando o chamado "efeito maçarico".

As chamas propagaram-se ao interior da casa, provocando danos materiais e queimaduras no arguido, que teve de receber tratamento hospitalar.

De acordo com a investigação, a mulher, que se mantivera deitada no sofá da sala, ainda antes do momento da ignição, escapou ilesa porque se apercebeu da fuga de gás e fugiu rapidamente para o exterior da habitação.

O incêndio foi extinto pelos Bombeiros da Murtosa, que mobilizaram para o local sete homens e duas viaturas.

"Caso não fosse a atempada intervenção dos bombeiros, tal incêndio e explosão colocavam em grave risco a vida e a integridade física de terceiras pessoas que se encontrassem nas imediações daquele imóvel, bem como de bens materiais de valor elevado", diz a acusação.

O arguido, que chegou a estar em prisão domiciliária, continua a viver com a mulher no Canadá.