Uma antiga funcionária do centro de saúde da Marinha Grande, alegadamente responsável pelo desvio de 139 mil euros de taxas moderadoras, afirmou esta quarta-feira, em tribunal, que apenas utilizou 30 mil euros. Quanto ao restante valor, atribuiu a culpa aos colegas.

«Eu responsabilizo-me por cerca de 30 mil euros (…). Só utilizei para fins próprios 30 mil euros»


A arguida, de 72 anos, falava perante o coletivo de juízes do Tribunal Judicial de Leiria, onde começou a ser julgada acusada dos crimes de peculato e falsificação de documento.

A mulher que admitiu ser a responsável pela gestão dos dinheiros do centro de saúde e adiantou que necessitou daquele valor «por questões graves da vida pessoal». Já o restante valor «quem não entregou» foram as colegas.

«Permiti que as colegas ficassem com o dinheiro para elas»


Admitiu, depois, ter-lhes solicitado «várias vezes» o valor das taxas moderadoras, cuja falta justificava ao dar «as faturas [de fornecedores] como pagas», cita a Lusa.

Garantindo não ter cometido os factos sozinha, a arguida reconheceu ter encoberto as colegas, explicando que não denunciou esta suposta situação por temer que o desvio que fez fosse descoberto.

«Eu agi mal», afirmou, adiantando que a direção do centro de saúde confiava nela, «mas sempre que quisessem e se entendessem podiam controlar», o que, aliás,«“era sua responsabilidade», pois «não há direções nomeadas para depois não terem responsabilidade».

No despacho de acusação, lê-se que a mulher, «após receber das restantes funcionárias os valores pecuniários referentes às taxas moderadoras, para conferir, guardar e depositar na conta da Sub-região de Saúde de Leiria, separava uma parte desse dinheiro» que afetou às suas necessidades pessoais ou do seu agregado, «designadamente pagando despesas correntes do seu dia-a-dia», valores que «totalizaram pelo menos 139.077,18 euros».

O julgamento prossegue com a audição de testemunhas.