O início do julgamento dos militares acusados pela morte de uma jovem no quartel da Serra do Pilar em 2011, durante atividades do dia da defesa nacional, está suspenso desde abril por faltar uma peritagem que três universidades já disseram não ter condições para fazer.

«Vimos, por este meio, informar que por motivo de não termos, de momento, condições no Departamento de Engenharia Civil para realizar esta peritagem, não nos é possível responder à vossa solicitação», refere a resposta do departamento de engenharia civil da Universidade de Aveiro, segundo avança a agência Lusa.

Também as universidades de Coimbra e Porto terão dado, segundo fonte ligada ao processo, respostas idênticas ao pedido de peritagem apresentado por um dos arguidos em março, faltando conhecer a decisão da Universidade de Lisboa para a qual foi encaminhado um pedido de perícia no início de setembro.

O início do julgamento esteve agendado para 08 de abril mas a falta da peritagem pedida pelo arguido, que quer averiguar o motivo da alegada rutura/fratura dos filamentos do cabo usado no «slide» que levou à queda e morte da jovem, levou ao seu adiamento por tempo indeterminado.

O caso remonta a 20 de maio de 2011 quando a jovem Ana Rita Lucas, de 18 anos, caiu de uma altura de «cinco a sete metros» durante um exercício radical ¿ «slide» ¿ no âmbito das atividades do Dia da Defesa Nacional, acabando por não resistir aos ferimentos.

Segundo a acusação do Ministério Público, a que a Lusa teve acesso, foi quando a jovem se encontrava a meio do trajeto que «o cabo de aço pela qual a mesma deslizava e a sustentava se partiu».

De acordo com o primeiro relatório de perícia do Laboratório de Ensaio de Materiais de Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto «o cabo apresentava-se em condições aceitáveis, mantendo a sua capacidade resistente», não tendo sido detetada «qualquer deficiência relevante nos outros materiais usados no exercício».

O documento refere, porém, que uma das ligações do cabo foi efetuada «de forma deficiente» e que se verificou um aumento de força de tração no mesmo que foi «suficiente para romper a ligação».

Aos quatro militares (um sargento, um primeiro cabo e dois soldados) acusados no processo é imputado o crime de homicídio por negligência grosseira (punido com pena de prisão até cinco anos) porque «revelaram total falta de cuidado, prudência e desrespeito manifesto pelas regras de segurança naquele equipamento, sem terem tomado as necessárias precauções para evitarem a quebra do cabo de aço».

Na altura do acidente, o Exército expressou à família o seu «profundo pesar» pelo sucedido e anunciou a abertura de um inquérito.