Por: Catarina Pereira | 26- 5- 2010 0: 57
Dois jovens garantem que foram espancados, na madrugada desta terça-feira, no Bairro Alto, em Lisboa, por vários polícias,
tendo sido uma das vítimas obrigada a uma intervenção cirúrgica ao maxilar.
Vasco Dias, 19 anos, e Laura Diogo, 18
anos, encontravam-se perto do Largo Camões quando a jovem começou a fazer «percussão» num caixote do lixo. «Um indivíduo à
civil, que não se identificou, começou a mandar-me calar em tom agressivo e a chamar-me nomes. Até me deu um estalo», contou
Laura ao tvi24.pt.
Eram cerca das 3h30 e surgiram então «mais polícias», «com a farda azul da PSP», mas que
«não estavam identificados». «Eu tentei olhar para as placas com os nomes e não as vi», garantiu.
O jovem tentou
ajudar a amiga, mas, segundo esta, «atiraram-no para o chão e espancaram-no», enquanto ela própria era alvo de mais agressões.
«Nem falaram com ele. E depois fomos algemados e levaram-nos para a esquadra da Praça do Comércio num carro normal da PSP»,
acrescentou.
Laura não foi identificada e tentou falar com os pais, mas negaram-lhe qualquer telefonema porque «não
estava detida, logo não tinha direitos». Os dois estudantes estiveram cerca de uma hora na esquadra, «com os polícias sempre
a insultarem-nos e a mandarem-nos calar». Confirmou ainda que o «indivíduo à civil» era, afinal, um agente, porque o viu depois
na esquadra.
Vasco foi separado da amiga, porque «quis apresentar queixa», e tudo terminou com um outro agente «à
paisana» a «acalmar as coisas» e a mandá-los embora. Os jovens apanharam então um táxi para o hospital de S. José e Vasco
Dias teve mesmo de ser submetido a uma cirurgia porque se encontrava com o maxilar fracturado, conforme confirmaram fontes
hospitalares ao tvi24.pt.
«Eu vou fazer queixa. Estou neste momento no hospital, onde me vão fazer exames
porque tenho alguns ferimentos superficiais e depois vou apresentar queixa», reforçou Laura.
O tvi24.pt tentou
contactar Vasco Dias para confirmar em que modos a queixa foi apresentada, mas o jovem, que continua internado, não consegue
falar. «Durante duas a três semanas ele vai ter de estar de boca fechada e come por uma palhinha», revelou Filipa Gonçalves,
uma amiga que visitou o alegado agredido.
Da parte da PSP, ainda não foi possível obter qualquer informação, com
várias fontes a garantirem não ter qualquer «conhecimento» do incidente. No entanto, ficou a garantia de que esta quarta-feira
será emitido um comunicado com esclarecimentos.
Ao que o tvi24.pt apurou, o Bloco de Esquerda está a preparar
uma posição sobre o caso e poderá haver mesmo uma interpelação ao ministro da Administração Interna.
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