Por: Redacção / CF | 14- 4- 2011 10: 42
Um estudo da Organização Mundial de Saúde a que o jornal «Público» teve acesso revela que 15, 6 por cento dos jovens
portugueses, com uma média de 14 anos e alunos do 6º, 8º e 10º ano, se magoam de propósito. Mais de metade fá-lo nos braços,
mas quase sempre em sítios não visíveis.
A investigadora Margarida Gaspar de Matos, coordenadora do estudo para
Portugal, explica ao jornal que estes adolescentes o fazem «como forma de auto-regulação emocional», porque se sentem «tristes,
irritados e desesperados». Estes jovens são também aqueles que apresentam mais comportamentos de risco: fumam, bebem, têm
dificuldade em fazer amigos, mas, por outro lado, são também aqueles que mais provocam. Uma «minoria preocupante» no entender
da investigadora, e uma realidade escondida já que são os pais destes jovens que pouco ou nada sabem sobre a vida e os amigos
dos filhos.
De dentro para fora, o trabalho, que envolveu 5050 adolescentes de 136 escolas públicas, chega a outra
conclusão importante: mais de metade assistiu a brigas no recreio e, destes, dois terços não fez nada. Margarida Gaspar
de Matos descreve este comportamento como «uma forma de violência pela passividade».
O bullying tradicional
acaba por descambar numa versão moderna que está em crescendo. O ciberbullying já afecta quase 16 por cento destes
adolescentes, muito por culpa do tempo que passam à frente do computador. Uma espada de dois bicos, pois, por outro lado,
é positivo e colocam Portugal no mesmo patamar que os países mais avançados. As provocações são feitas essencialmente através
de mensagem de telemóvel e pelomessenger. Ao «JN», a investigadora sublinha que esta «não é ainda uma realidade alarmante,
mas é preciso estar atento».
Há ainda outro senão: 18,8 por cento têm excesso de peso ou são obesos devido às vidas
sedentárias. O problema transferiu-se da infância para a adolescência.
Mas, ficamos a saber mais sobre estes jovens.
Boas e más notícias. Nota positiva para a quebra no consumo de álcool e tabaco. No entanto, cresce o consumo e haxixe.
Os trabalhos da escola também são alvo do estudo e a parte portuguesa conclui que estes constituem «um stress» para
os alunos. Doze por cento, um dos piores resultados entre os 44 países que fazem parte do estudo.
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