O vice-reitor da Universidade Católica e diretor da Faculdade de Teologia, José Tolentino de Mendonça, foi indigitado como arquivista e bibliotecário do Vaticano, passando a tutelar a mais antiga biblioteca do mundo, foi esta terça-feira anunciado.

José Tolentino de Mendonça, que será elevado a arcebispo, recebendo simbolicamente a antiga sede episcopal de Suava, no norte de África, vai substituir Jean-Louis Bruguès, que assumiu o cargo em 2012.

Considerando o convite do Papa como “uma grande honra para a Igreja portuguesa, para Portugal e para a Universidade Católica”, a reitoria da universidade lembra, em comunicado, que Tolentino de Mendonça tinha assumido o pelouro das relações culturais e bibliotecas da Católica nas últimas duas equipas reitorais.

José Tolentino de Mendonça “contribuiu para tornar a atividade artística um eixo central da ação da Universidade Católica, incentivando um diálogo renovado e fecundo com a sociedade através da sua intervenção cultural e literária”, refere a universidade.

Madeirense e com 52 anos, Tolentino de Mendonça, que foi condecorado com o grau de comendador da Ordem de Sant’Iago da Espada em 2015, assumirá o novo cargo em 1 de setembro próximo.

O arquivo secreto do vaticano, pelo qual passará a ser responsável, contém os documentos do governo da Igreja, quer para o trabalho corrente do Vaticano, quer para consulta de investigadores, quando autorizados pelo Papa.

Tolentino de Mendonça é ainda consultor do Conselho Pontifício da Cultura e foi reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma, e diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Igreja Católica em Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa já parabenizou Tolentino de Mendonça

O Presidente da República felicitou hoje José Tolentino de Mendonça pela sua indigitação como arquivista e bibliotecário do Vaticano, “vulto maior da cultura portuguesa contemporânea”, que o coloca “no seio da intelectualidade católica de todo o mundo”.

Numa mensagem colocada no “site” da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa confessa-se “amigo e admirador” de Tolentino de Mendonça e escreveu que a nomeação “é um ato que engrandece o nome de Portugal”, reconhecendo a sua “trajetória de vida e a densidade espiritual, intelectual e humana” do teólogo e poeta português.

O Presidente afirma depois que o sacerdote é “admirado pelos Portugueses” e um “vulto maior da cultura portuguesa contemporânea, além de representar, do papa Francisco, um gesto “justo e merecido” do papa Francisco para o “culminar de um exemplar percurso de fé, caminho em que a palavra tem papel decisivo”.

“Através dos seus livros de teologia e de poesia, das suas crónicas regulares na imprensa escrita, das suas intervenções públicas nos mais diversos lugares e, enfim, do exercício de funções docentes e diretivas na Universidade Católica Portuguesa”, Tolentino Mendonça “alcançou um lugar cimeiro não apenas” em Portugal, mas também “no seio da intelectualidade católica de todo o mundo”.