O livro de José Sócrates, «A Confiança no Mundo», vendeu mais de 20 mil exemplares, mas o Ministério Público diz que metade das vendas foram feitas com dinheiro do próprio José Sócrates para garantir o sucesso da obra. Segundo o procurador, deputados socialistas e outras pessoas próximas do antigo primeiro-ministro aceitaram participar no esquema.
 
No total, o ex-governante terá gasto 170 mil euros, segundo informações recolhidas pela TVI. A situação chegou mesmo a despertar a estranheza nas livrarias, levando, segundo a investigação, os arguidos a mudarem de estratégia. 
 
No dia em que o jornal «Sol» noticia que a obra não terá sido escrita por José Sócrates, o antigo chefe do Governo reage através da defesa: fala numa notícia caluniosa e promete reagir nos meios próprios. 
 
O livro a «A Confiança no Mundo», de José Sócrates, foi lançado em outubro de 2013 e, um mês depois, já tinha vendido 12 mil exemplares. Diz a investigação no inquérito «Marquês» que, por todo o país, havia várias pessoas a adquirir individualmente centenas de exemplares da obra do antigo primeiro-ministro. 
 
A situação terá mesmo despertado a atenção dos empregados nas várias livrarias e, para não dar nas vistas, diz o Ministério Público, os arguidos recomendaram que a aquisição das obras passasse a fazer-se em pontos de venda automáticos para não atrair mais atenções. 
 
O procurador fala num esquema montado para garantir o sucesso de vendas. Diz que José Sócrates angariou uma rede de colaboradores que aceitaram comprar os livros e aos quais passou a entregar dinheiro. Verbas que pertenceriam ao antigo primeiro-ministro, mas que estariam na posse de Carlos Santos Silva. 
 
Entre os compradores em massa, estão, segundo o inquérito, Carlos Santos Silva e a mulher, várias figuras próximas de José Sócrates incluindo o deputado socialista Renato Sampaio, que, à TVI, recusou comentar o caso. Está ainda outro deputado do PS André Figueiredo, que garante desconhecer qualquer esquema relacionado com a compra de livros do ex-governante. 
 
Confrontado com estes indícios, o ex-governante explicou em sede de interrogatório que ofereceu vários livros de que não reclamou direitos de autor garantiu mesmo não ter agido por razões de promoção pessoal.
 
No dia em que o jornal «Sol» noticia que escutas no processo indiciam que o livro «A Confiança no Mundo» não terá sido escrito por José Sócrates e sim por professor catedrático a troco de contrapartidas. O ex-governante reage através da defesa, fala numa notícia caluniosa e promete agir na justiça.