José Sócrates acusa o Ministério Público de dirigir uma "cilada" contra Fernando Medina, na sequência do anúncio da investigação ao presidente da Câmara de Lisboa por causa da compra de uma casa.

A acusação foi gravada em vídeo e partilhada nesta segunda-feira no seu canal no Youtube.

O antigo primeiro-ministro descreve mesmo o que diz ser um "clássico", que, não hesita dizer, já se tornou no "modus operandi" do Ministério Público.

Em primeiro lugar alguém escreve uma denúncia anónima que remete ao Ministério Público. Mais tarde, o denunciante, ou o próprio MP, fá-la chegar a um jornalista que, por sua vez, divulga o conteúdo dessa denúncia anónima. Num terceiro andamento, um outro jornalista ou o mesmo questiona o MP, que, solícito, confirma ao jornalista que recebeu a denúncia e abriu a competente investigação. Eis então o momento esperado: a partir daqui os jornais e as televisões já podem, agora legitimamente, dizer que Fernando Medina está a ser investigado e que as suspeitas incidem sobre a compra da sua casa, um duplex, em zona de luxo. Conheço bem a armadilha política, porque também já fui vítima dela", afirma. 

Sócrates considera Fernando Medina "vítima de calúnia", transformado num "alvo" da campanha eleitoral devido à "prestimosa contribuição do Ministério Público"

Mas afinal o que torna esta golpada particularmente repugnante? Por um lado, a cobardia do ato anónimo, a calúnia da denúncia, o debate político da campanha que fica conspurcado por este miserável episódio. Todavia, não iludamos o ponto essencial: é que nada disto acontecia sem a prestimosa contribuição do Ministério Público, que, conscientemente, ao tornar pública a denúncia e a investigação, entrega a esta atoarda a legitimidade necessária para que esta se possa tornar no assunto crítico desta campanha eleitoral."

O ex-governante atribui "a principal responsabilidade" ao MP, "os autores morais, os instigadores, os que dão as informações, os que sugerem as suspeitas", isto é, a quem, lembra, "está atribuída a responsabilidade institucional de guardar o processo".

Na defesa a Medina Sócrates não esquece a Operação Marquês, na qual é o principal arguido, revelando uma confidência do inquérito.

Num curioso desabafo, um dos investigadores declarou que determinadas informações que vieram nos jornais só podiam ter tido origem nele próprio, no procurador ou no juiz", contou, acrescentando a sua teoria: "Terem sido todos os três a darem essas informações, parece-me, realmente, mais provável".

Veja o vídeo na íntegra: