A bastonária da Ordem dos Advogados, Elina Fraga, sublinhou este sábado que José Sócrates tem de beneficiar do direito de defesa, independentemente da opinião que se possa ter do ex-primeiro-ministro. «Posso odiar Sócrates, mas tenho de me bater para que ele beneficie do direito de se defender», disse Elina Fraga.

Quando «aplaudimos uma detenção mediatizada ou vemos uma violação do segredo de Justiça porque está em causa um político de quem não gostamos, estamos a regredir» na defesa dos direitos fundamentais, defendeu a bastonária dos advogados, que intervinha, em Coimbra, na conferência «Portugal, a democracia e as (novas) guerras».

De acordo com a responsável, «quem tem sentido de responsabilidade não pode permitir» que se aplauda a detenção de um político do PS porque se é do PSD ou a detenção de um social-democrata porque se é do PS.

No entender de Elina Fraga, é preciso prestar atenção a sinais que representam «um retrocesso» em relação a direitos considerados «absolutamente fundamentais».

O ex-primeiro-ministro José Sócrates está detido, em prisão preventiva, no Estabelecimento Prisional de Évora, indiciado por fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

Na terceira sessão do ciclo «Conferências políticas» promovido pela Câmara de Coimbra e pela Fundação Bissaya Barreto, que decorreu hoje à tarde na Casa de Cultura de Coimbra, participaram também o ex-ministro e antigo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas Diogo Freitas do Amaral, o antigo ministro e fundador do Serviço Nacional de Saúde António Arnaut e os docentes universitários Amadeu Carvalho Homem e Alexandre Francisco de Sá.