O advogado Sócrates Pedro Delille esteve no jornal das 8 da TVI, agora que o ex-primeiro-ministro já pode ter acesso ao processo e que, dada essa decisão do Tribunal da Relação, voltou a pedir a sua libertação imediata. A defesa está confiante que a medida de coação seja revogada, o mais tardar, esta sexta-feira. 

Delille salientou dois aspetos do acórdão de hoje para sustentar o pedido de libertação imediata do ex-primeiro-ministro. O primeiro é "o reconhecimento" de que Ministério Público "não exerceu ação penal orientada pelo princípio da legalidade, com aval do seu juiz de instrução" que há seis meses "impede o exercício do direito de defesa", isto é, que os advogados possam conhecer o que está no processo para assim defenderem o seu cliente.

"Impediram isso e, com isso, tornaram nulos, ilegais, inválidos, atos do processo praticados" desde essa altura, argumentou. 

O segundo aspeto é que, no entender da defesa, esses atos invalidam a medida de coação aplicada - agora, a prisão domiciliária. Delille espera que a revogação seja mesmo imediata. 

"No carro ainda não fui notificado, talvez tenhamos sido no escritório e o senhor engenheiro em casa. Outro pedido imediato acesso aos autos, começar a partir de agora jogo limpo, acesso ao material que existe como o Ministério Público. Por razões de prática, não acredito que seja hoje, já é noite, só estão acordados e a trabalhar à noite quando é para prender, para soltar não"


A defesa espera poder consultar o processo amanhã "ao início da tarde".

Sobre a instrução do processo, a única coisa que o advogado tem conhecimento é o que vem sendo plasmado na imprensa,de que o Ministério Público alegadamente emitirá certidões para instaurar novos processos. "Expedientes manifestamente dilatórios e sem fundamento como foi hoje confirmado", antecipa Delille, insinuando que a Justiça quer "embrulhar" o caso em novos processos.
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