José Sócrates volta a escrever a um órgão de comunicação. Numa carta manuscrita, enviada ao «Diário de Notícias» e publicada esta quinta-feira, o antigo primeiro-ministro ataca jornalistas, juristas e políticos.

«O sistema vive da cobardia dos políticos, da cumplicidade de alguns jornalistas, do cinismo das faculdades e dos professores de Direito e do desprezo que as pessoas decentes têm por tudo isto».

O antigo governante, em prisão preventiva na cadeia de Évora, viu na quarta-feira o STJ rejeitar o pedido de habeas corpus interposto por um cidadão de Gaia.

«Prende-se para calar»

«Prende-se para melhor se investigar.
Prende-se para humilhar, para vergar.
Prende-se para extorquir, sabe-se lá que informação.
Prende-se para limitar a defesa; sim, porque esta pode ‘perturbar o inquérito’». 
Mas prende-se, principalmente, para despersonalizar. Não, já não és um cidadão face às instituições, és um ‘recluso’ que enfrenta as ‘autoridades’: a tua palavra já não vale o mesmo que a nossa. Mais do que tudo – prende-se para calar».
 

«Na prisão da opinião pública»
 
«Prende-se, também, de uma outra forma – na prisão da opinião pública», criticando que só a defesa está obrigada ao segredo de justiça.

«Nem precisam de falar - os jornalistas (alguns) fazem o trabalho por eles. Toma lá informação, paga-me em elogios. Dizem-lhes o que é crime conhecerem, eles compensam-nos com encómios: magnífico juiz; prestigiado procurador; polícia dedicado e competente. Lado oculto e podre, é certo».

Termina a carta com uma pergunta:

«Sim – pergunta clássica – quem nos guarda dos guardas? Silêncio. ‘As instituições estão a funcionar’».


Em pouco mais de uma semana, Sócrates já escreveu ao Diário de Notícias, à TSF, ao Público e à RTP e falou ao telefone com o «Expresso».

«O recalcitrante sabe que arrisca uma campanha negativa na imprensa, senão mesmo uma investigação. E sabemos com pesa a simples notícia de que se está sob investigação», cita o DN.