Armando Vara já está em casa com pulseira eletrónica. Depois de vários dias no  Estabelecimento Prisional Anexo à Polícia Judiciária, em Lisboa, o ex-governante já está a cumprir a medida de coação determinada pelo juiz Carlos Alexandre, após ser detido e constituído arguido no âmbito da Operação Marquês.

Recorde-se que Armando Vara foi detido na passada quinta-feira e ouvido sexta-feira pelo juiz Carlos Alexandre, que determinou prisão domiciliária, com pulseira eletrónica. Ex-ministro está ainda impedido de contactar os restantes arguidos oito arguido do processo Marquês. Entre eles, José Sócrates.

Armando Vara está indiciado pelos crimes de “corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais".

A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Sociais (DGRSP) precisou de dois dias para averiguar das condições da residência de Armando Vara para instalar aqueles meios. 

No dia em que foi detido, Armando Vara foi levado para o Comando Metropolitano da PSP de Lisboa. Só na sexta-feira, após ser presente ao juiz, foi transferido para a estabelecimento prisional junto à PJ.

Além de Armando Vara e José Sócrates são também arguidos no processo Marquês, o empresário Carlos Santos Silva (prisão domiciliária, com vigilância eletrónica), o administrador do grupo Lena Joaquim Barroca, o ex-motorista de Sócrates João Perna, o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda de Castro, a mulher de Carlos Santos Silva, Inês do Rosário, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o presidente da empresa que gere o empreendimento de Vale do Lobo, Diogo Gaspar Ferreira, são os outros arguidos no processo.

O advogado de Armando Vara considerou, na altura, uma "medida brutal" a prisão domiciliária aplicada ao ex-ministro socialista e anunciou que vai recorrer da decisão para o Tribunal da Relação de Lisboa.

O causídico discordou dos fundamentos invocados para a aplicação da prisão domiciliária, alegando que Armando Vara tem, desde 2009, um contencioso com a justiça (numa alusão ao processo Face Oculta, onde foi condenado a cinco anos de prisão efetiva, decisão que está em recurso no Tribunal da Relação do Porto) e que nunca faltou a nenhum ato processual, "nem deixou de cumprir todas as suas obrigações".