O apartamento que Carlos Santos Silva comprou à ex-mulher de José Sócrates, por 400 mil euros foi entretanto penhorado.  O empresário pagou mais do que o valor de mercado, mas ficou sem o imóvel.
 
A penhora aconteceu porque uma das empresas do arguido no processo marquês, a Gigabeira, faliu e deixou uma dívida de 15 milhões de euros. O negócio foi feito em dezembro de 2011, através da Gigabeira.
 
Em 2014, a empresa foi declarada insolvente. Deixou 15 milhões de euros em dívidas e mais de 200 credores à espera do dinheiro. Já com graves dificuldades financeiras, a Gigabeira colocou o apartamento no mercado em 2013. Acabou mesmo por assinar um contrato de promessa de compra e venda do imóvel. 
 
Carlos Santos Silva pagou 400 mil euros a Sofia Fava, mas um ano e oito meses depois aceitou vendê-lo por 260 mil. O comprador pagou 50 mil euros de imediato, mas a escritura nunca aconteceu porque, entretanto, três empresas credoras da Gigabeira penhoraram o imóvel como garantia.
 
A TVI sabe que comprador mantém o interesse no imóvel. Vai aguardar uma decisão judicial e quando as penhoras forem levantadas, pretende fazer a escritura.
 
O Ministério Público considera que os 400 mil euros pagos pelo apartamento a Sofia Fava está acima do valor do mercado no Lumiar, em Lisboa. E defende, que estes negócios de Carlos Santos Silva eram apenas um esquema para fazer chegar dinheiro, ou bens, a José Sócrates.
 
Ao todo, o empresário adquiriu sete imóveis e um terreno a familiares do ex-primeiro-ministro ou para pessoas ligadas a ele. 
 
O dinheiro gasto, foi sempre compensado com verbas retiradas de uma conta bancária em nome de Carlos Santos Silva, mas que os investigadores do processo Marquês acreditam ser de José Sócrates.
 
No caminho difícil das penhoras e da justiça, a ser verdadeira a teoria do Ministério Público, José Sócrates perdeu um dos investimentos por culpa das dívidas do amigo, Carlos Santos Silva.