O patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, lembrou «a bondade» e o «muito trabalho» à frente da diocese do patriarca emérito José Policarpo, que morreu esta quarta-feira em Lisboa, aos 78 anos.

«A sua memória mantém-se viva no muito trabalho que D. José Policarpo desenvolveu com bondade e lucidez à frente da diocese», afirmou Manuel Clemente, em declarações à Rádio Renascença.

Os bispos portugueses, reunidos em Fátima, consideram o cardeal patriarca emérito de Lisboa José Policarpo uma figura marcante na renovação da Igreja em Portugal e um homem que soube «responder aos desafios dos tempos presentes».

«Todos reconhecemos nele uma figura marcante na renovação da Igreja em Portugal, com o seu sábio discernimento dos sinais dos tempos para responder aos desafios dos tempos presentes», refere um comunicado emitido no santuário de Fátima, onde estão reunidos os bispos para o seu retiro anual.

Lido pelo porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, padre Manuel Morujão, o comunicado refere que os bispos «receberam a dura notícia do falecimento de D. José da Cruz Policarpo, Cardeal Patriarca Emérito de Lisboa, ao fim desta tarde, provocado por um aneurisma».

«De manhã, tinha deixado Fátima, numa ambulância, para ser tratado em Lisboa», adianta o comunicado, acrescentando: «Com profunda dor, mas também com grande esperança, os bispos agradecem a Deus a sua vida rica de boas obras, intensamente dedicada ao serviço da Igreja e do mundo, intervindo no campo pastoral, cultural e social com sabedoria e coragem evangélicas».

O bispo emérito das Forças Armadas, Januário Torgal Ferreira, disse que o cardeal patriarca emérito de Lisboa serviu incondicionalmente a Igreja.

«A imagem que me fica foi de uma pessoa que serviu incondicionalmente, serviu com jovialidade, com alegria» a Igreja, afirmou Januário Torgal Ferreira, considerando: «Neste momento tão difícil do mundo, se tivéssemos servidores deste quilate tínhamos muito mais luz e tínhamos muito mais certeza humana e de respeito».

O bispo emérito das Forças Armadas recordou uma frase que José Policarpo repetiu inúmeras vezes: «Eu não tenho opções, escolhas. Eu escolho aquilo que a Igreja escolheu para mim. Isto é, a Igreja tudo aquilo que me pedir, através do papa, me solicitar, isso eu realizo e sirvo».

Januário Torgal Ferreira lembrou também o papel de José Policarpo «num período difícil antes do 25 de abril [de 1974]».

«D. José estava em Roma, regressado de Roma assumiu a reitoria do Seminário dos Olivais e, depois, meteu-se a implantação feliz da democracia e, ao longo de tudo isto, privilegiou fundamentalmente este diálogo da Igreja com a sociedade, a Igreja com a cultura e com os critérios que ele achava que eram ajustados e verdadeiros da parte da Igreja para o mundo», acrescentou.