A rede do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE), publicada nesta semana em Diário da República, tem neste ano menos 30 horários do que em 2012, o que leva um sindicato de professores a antever o fim do sistema a prazo.

«Se todos os anos continua este tipo de redução - está a ser cerca de 50 por ano - qualquer dia desaparece o Ensino de Português no Estrangeiro», disse à Lusa a secretária-geral do Sindicato dos Professores das Comunidades Lusíadas (SPCL), Teresa Soares.

Confrontado com a crítica, o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, justificou a diminuição do número de professores com o facto de haver, em algumas zonas, uma «efetiva redução» do número de alunos e, em outros casos, a transferência de responsabilidades para outros países, como acontece em Espanha, onde alguns governos autonómicos começam a assumir os encargos com o ensino de português.

O SPCL enviou também «um pedido de intervenção ao Provedor de Justiça por causa dos horários retirados em Espanha»porque o Governo decidiu cortar «sem razão nenhuma« seis horários de EPE em Vigo e Olivença, todos eles com mais de 100 alunos.

Segundo Teresa Soares, só em Olivença - que «tem raízes portuguesas tão fortes» - são 700 alunos ao todo, mais de metade lusodescendentes, que vão ficar sem aulas de português, mas o secretário de Estado das Comunidades, que tutela o EPE, afirma que «a esmagadora maioria dos alunos» em Espanha não são lusodescendentes.

«Não sei se são 700, 600 ou 500. Há alunos que nalguns locais poderão ficar sem aulas, mas muito poucos são os casos de lusodescendentes«, disse José Cesário.