Morreu um amigo. O dia está lindo. Era assim que ele queria. Morreu um amigo de todos os amigos que não sabiam que eram amigos dele e muitos que eram sem que ele soubesse.

Morreu um combatente. Morreu uma pessoa que nos ajuda a viver.

Sabia - sabíamos todos - que este dia chegaria. Não tinha pensado no que faria. Nem como reagiria.

Uma estranha paz angustiada tomou conta de mim. Acendi duas velas junto à fotografia dos meus filhos e decidi ouvir o «Ilumina-me», do Pedro Abrunhosa.

Vale a pena a letra.

Vale a pena a vida.

Vale a pena quem nos ilumina. E vale a pena tentar iluminar outros.

Até já Manel!

Gosto de ti como quem gosta do sábado,

Gosto de ti como quem abraça o fogo,

Gosto de ti como quem vence o espaço,

Como quem abre o regaço,

Como quem salta o vazio,

Um barco aporta no rio,

Um homem morre no esforço,

Sete colinas no dorso

E uma cidade p'ra mim.

Gosto de ti como quem mata o degredo,

Gosto de ti como quem finta o futuro,

Gosto de ti como quem diz não ter medo,

Como quem mente em segredo,

Como quem baila na estrada,

Vestido feito de nada,

As mãos fartas do corpo,

Um beijo louco no porto

E uma cidade p'ra ti.

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, Ilumina-me.

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, Ilumina-me.

Gosto de ti como uma estrela no dia,

Gosto de ti quando uma nuvem começa,

Gosto de ti quando o teu corpo pedia,

Quando nas mãos me ardia,

Como silêncio na guerra,

Beijos de luz e de terra,

E num passado imperfeito,

Um fogo farto no peito

E um mundo longe de nós.

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, Ilumina-me.

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, Ilumina-me.

Texto: José Alberto Carvalho, Diretor de Informação TVI (texto originalmente publicado no Facebook)

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